domingo, 27 de janeiro de 2019

VINÍCOLAS URUGUAIAS - BODEGA BOUZA

No último mês de novembro, em visita ao Uruguai junto com uma amiga que também ama vinhos, fiz o roteiro que todo turista faz quando chega a Montevideo, apesar de que já estive lá dezenas de vezes. Começamos visitando "El Mercado del Puerto", local ícone da cidade e que nos últimos anos teve seu entorno remodelado, transformando-se em uma grande área turística.

A primeira vez que visitei o  Mercado del Puerto, mais ou menos há uns 20 anos, ainda existiam bancas que vendiam produtos alimentícios e carnes, hoje há apenas restaurantes típicos com a famosa parrilla e lojas com objetos de artesanato.

É claro, como boas turistas, tratamos de comer uma bela parrilla acompanhada de um típico tinto uruguaio, principalmente porque o objetivo da viagem era visitar algumas vinícolas uruguaias.  Tomamos um Pisano, Primeira Reserva, 60% Merlot e 40% Tannat, que passou por barrica de carvalho francês e americano, de 3 a 4 meses, 1ª Viña da  Familia Pisano,  Pisano Artesania en Vinos Finos. A Bodega Pisano está localizada na Ruta 68, Km 29, em Progreso, bem próximo a Montevideo. Harmonizou muito bem com a excelente carne uruguaia.

No dia seguinte visitamos a Bodega Bouza, uma empresa familiar, estilo "chateau" com tours, uma bela coleção de automóveis clássicos no salão de degustação e conta também com um agradável restaurante, isto sem falar nos belos vinhedos.  Está localizada apenas uns 20 minutos de Montevideo, assim que dá para contratar um remise para ir até a Bodega.
Suas  instalações estão localizadas em zonas tradicionais para a vitivinicultura no Sul do Uruguai, muito próximas ao mar. Ela exporta seus vinhos para a Europa, Estados Unidos, Chile e Brasil. Assim, vocês podem encontrar nas boas lojas de vinhos os exemplares que degustamos durante a nossa visita à vinícola.

Ao chegarmos a Bodega fomos recebidos por um dos enólogos, Pedro Palmann,  para nossa surpresa um gaúcho que fez sua graduação em enologia no Uruguai. Ele nos acompanhou durante toda a visita pelos vinhedos e pela cave, onde recebemos explicações sobre a história da  Bodega, sobre os vários vinhedos localizados em direfentes partes do Uruguai, as variedades de uvas cultivadas  neles e sobre a elaboração dos vinhos produzidos na vinícola.
Iniciamos a visita pelo vinhedo Melilla, localizado na Bodega, que tem ao redor de 10 hectares onde estão plantadas as variedades Alvarinho, Chardonnay, Merlot, Tempranillo e Tannat, que na ocasião estavam no período de floração e de formação dos cachos.
Os outros vinhedos estão localizados em outras regiãos do país. O vinhedo Las Violetas, está localizado em  Canelones, mais ao Norte, com aproximadamente 15 hectares e onde são cultivadas as variedades Alvarinho, Chardonnay, Merlot, Tempranillo e Tannat, sendo que 4 hectares são de vinhedos entre 20 e 40 anos de idade e 8 hectres são de vinhedos mais jovem.

Há nove anos, no ano 2010,  a Bodega passou a cultivar no vinhedo Pan de Azúcar,  as variedades Riesling, Chardonnay, Pinot Noir, Merlot e Tannat em uma área de aproximadamente 7,5 hectares.  Este vinhedo está muito próximo do mar, em frente ao  cerro Pan de Azúcar, na porção mais a leste do Uruguai, o que faz com que ele tenha uma grande influência marítima.

A partir dos bons resultados obtidos com o vinhedo Pan da Azúcar, em suas 4 primeiras colheitas, a Bodega decidiu desenvolver um novo vinhedo onde a influência marítima seria ainda mais importante, já que desde o vinhedo se pode observar o mar, uma vez que ele está apenas a 3 km de distância. O vinhedo Las Espina foi iniciado em 2016 com a implantação de duas parcelas das variedades Tannat e Pinot Noir, futuramente serão cultivadas também as variedades Chardonnay e Merlot. 
Em seguida fomos visitar a cantina e a cave onde são elaborados e armazenados os vinhos produzidos pela Bodega. 
A vinícola tem diferentes sistemas para o armazenamento e envelhecimento dos vinhos, desde as piscinas de concreto, as pipas de carvalho, os tanques de aço inoxidável e as barricas de carvalho francês, americano e caucasiano, esta última originária do Cáucaso no Norte da Rússia. 

O interessante desta cave é que há, bem no meio dela,  uma cave museu subterrânea, onde estão armazenadas 40 garrafas de cada vinho já feito pela vinícola e que serve de laboratório e para degustação para os profissionais da Bodega.
Eu tirei uma foto desta cave museu, porém devido ao vidro que a cobre a foto não ficou com uma boa qualidade.  
Depois da visita a cave passamos para a degustação de vinhos no Bouza Vinos Garage, um enorme salão onde as mesas para a desguatação compartem o espaço com exemplares ícones da coleção de carros clássicos da Bodega.
A degustação foi conduzida pelo sommelier, o uruguaio Lucas Oliveira, que nos apresentou quatro vinhos clássicos elaborados pela Bouzas. 
O primeiro vinho a ser degustado foi o Alvarinho (100%), a Bouza foi a primeira vinícola a plantar esta variedade na América Latina. Esta é a uva famosa dos vinhos verdes de Portugal. Na Espanha e nos países de lingua espanhola é conhecida como Albariño. 


Utilizada originalmente em vinhos de corte, esta variedade tem sido mais frequentemente vista em vinhos varietais, leves, fresco e de boa acidez, como este exemplar.  De  cor amarelo pálido, aroma floral intenso com notas de especiarias e baunilha, bom volume, final de boca prolongado e 14,5% de álcool. A temperatura de serviço é 12°C.

As uvas são plantadas nos vinhedos Las Violetas e Melilla, que são conduzidos no sistema de espaldeira, em solo limo argiloso, com alta porcentagem de calcáreo. 

É feita a seleção manual das uvas e a fermentação dos vinhos, 90% é em tanque de aço inoxidável e 10% em barricas de carvalho francês. Amadurecimento sobre as borras durante três meses.  

Um belo vinho branco que harmoniza muito bem com pratos de peixe e frutos do mar, saladas, aves e gastronomia oriental, principlamente por sua acidez. É uma excelente companhia para aperitivos em geral.


O segundo vinho degustado foi um Merlot (100%), safra 2017, também dos vinhedos Las Violetas e Melilla.
Este vinho tem cor vermelha intensa com reflexos rubi, aromas de frutas vermelhas, cereja, framboesa e notas florais. 


Um belo vinho, sou suspeita porque sou gaúcha e o merlot é um vinho muito apreciado nos pampas, nos pampas do Rio Grande do Sul e en "la pampa uruguaya".

Na boca apresenta-se com volume, equilibrado e taninos presentes, final médio, com 14% de álcool.  A temperatura de serviço é de 16°C, amadurecimento em barricas de carvalho francês, de 2° e 3° uso. Foi harmonizado com uma maravilhosa mousse de gorgonzola, castanhas e torradas. Pena que esqueci de pedir a receita da mousse.



O terceiro vinho que degustamos foi o Monte Vide Eu, safra 2016, um corte de 52% Tannat, 24% Merlot e 24% Tempranillo, com uvas originárias do mesmo vinhedo que dos dois vinhos anteriores. 


Este corte foi feito com uma seleção de vinhos, destas três variedades, vinificados em barricas separadas, com seleção manual da uva grão a grão.O amadurecimento foi feito com as três variedades separadas, entre 9 e 12 meses, dependendo da parcela, nas barricas de carvalho francês e americano. 




De cor rubi profunda, mescla de aromas de frutas vermelhas maduras, café, côco tostado e especiarias variadas (baunilha, canela), denso, com  taninos finíssimos e boa persistência. 
Teor alcoólico de 15% e a temperatura de serviço entre 16°C a 18°C. Foi harmonizado com presunto ibérico, com pera e torrada. Tem um exemplar na minha adega.
O quarto e último vinho degustado foi um Tannat (100%), B26 (o número do lote dentro do vinhedo) parcela única, safra 2016, com uvas provenientes dos vinhedos Las Violetas e Melilla.
Seleção manual da uva grão por grão, fermentação a 26°C, 60%  em tanques de aço inoxidável e 20% em carvalho; 16 meses de amadurecimento em barricas de carvalho  francês e americano.
De cor vermelho intenso, aromas de frutas vermelhas, cassis, notas de cravo e baunilha. Na boca apresenta acidez equilibrada, corpo médio e taninos suaves, com final prolongado.  Grau alcoólico de 14,6%,  temperatura de serviço 12°C. Foi harmonizado com uma empanada de cordeiro com redução de vinho. 
Realmente foi uma bela experiência, recomendo para quem for ao Uruguai visitar esta Bodega. 

Se beber, não dirija!

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

VISITA A CAPITAL BRASILEIRA DO ESPUMANTE


No último dia 27 de outubro participei de um tour pela Capital Brasileira do Espumante, a cidade de Garibaldi, na Serra Gaúcha, região esta considerada ideal para a produção de espumantes. Isto se deve ao seu clima temperado, com as quatro estações bem definidas e com noites frescas o que possibilita a lenta maturação das uvas e o desenvolvimento de bons níveis de açúcar e acidez na fruta, essenciais para a produção de espumantes. Essas características, mais tarde, darão origem á fineza aromática e ao frescor  do produto.

O tour foi organizado pela Confraria Dama, uma confraria de vinhos só para mulheres, criada em agosto de 2018. 

O objetivo da Confraria é, por meio do vinho,  criar uma rede forte de networking onde as confreiras possam aprender sobre esta bebida, como escolher o vinho mais adequado para uma ocasião, como degustá-lo sozinha ou em grupos, com amigos, familiares ou a dois. Adicionalmente, nos encontros e passeios, são tratados também temas como economia, finanças, empreendedorismo, decoração, moda, beleza e saúde, sempre devidamente acompanhados e inspirados por um bom vinho. 

A Confraria conta com três membros fundadores: 

  • Juciele Pinheiro - Diretora de Marketing - Administradora e proprietária de uma pousada no litoral do Rio Grande do Sul;
  • Marielly Lautert - Diretora de relacionamento - Sommelière e Empresária no ramo do vinho;
  • Priscilla Pellisoli - Diretora de Financeiro - Bancária e especialista em investimentos.
Mas na realidade o que une estas três mulheres é o mundo maravilhoso do vinho. 


O tour pela capital do espumante começou pela  Vinícola Chandon, onde fomos recebidas pela estudante de enologia Bruna que nos  conduziu pelas instalações da empresa. Inicialmente ouvimos uma breve apresentação sobre a história da vinícola. 
 
Em 1973, a Maison Moët & Chandon decidiu apostar no potencial vitivinícola brasileiro e inaugurou a Chandon em Garibaldi. Atualmente, a empresa é líder absoluta no segmento de vinhos espumantes naturais de luxo, que também são  produzidos na Argentina, Califórnia, Austrália, Índia e China.

 
A Chandon faz parte do grupo  LVMH - Louis Vuitton Moët Hennessy - o maior conglomerado de produtos de luxo do mundo, criado em 1987, como resultado da união dos grupos franceses Louis Vuitton (fundado em 1854) e Moët Hennessy (procedente do Champagne Moët & Chandon, fundado em 1743 e do Cognac Hennessy, de 1765). 

Em seguida assistimos a uma explanação sobre o processo de viticultura, o processo de elaboração dos espumantes, visualização das etapas de engarrafamento e rotulagem,  e tivemos a oportunidade de degustar um espumante, rosé, feito com uvas pinot noir e chardonnay,  que ainda estava em um tanque de pressão.

 

 
A Chandon tem vinhedos próprios, onde são cultivadas as variedades nobres de cepas de Chardonnay e Pinot Noir, mudas importadas da França, e também, Riesling Itálico, já cultivada na região, que foi melhorada e incorporada as assemblages. 


Após a visita técnica passamos para a desgustação dos produtos da vinícola, começando pelo espumante Chandon Réserve Brut, elaborado a partir da clássica assemblage de três variedades da Serra Gaúcha: Riesling Itálico (35%), Pinot Noir (35%) e Chardonnay (30%). Em seguida degustamos o espumante Chandon Brut Rosé elaborado com as variedades Riesling Itálico (30%), Pinot Noir (40% com 10% vinificado em tinto) e Chardonnay (25%).
Na sequencia degustamos espumante Chandon Excelence Brut elaborado com as variedades Pinot Noir (65%) e Chardonnay(35%), seguido pelo Chandon Excelence Rosé elaborado com as variedades Pinot Noir (74% com 24% vinificado em tinto) e Chardonnay (26%). Estes cuvvé especiais são os únicos que amadurecem 12 meses em tanques e 18 meses na garrafa, no mínimo, antes de sua comercialização. 

Seguindo com a degustação tivemos o Chandon Riche Demi-Sec também elaborado com as variedades Riesling Itálico (70%), Pinot Noir (15%) e Chardonnay (15%), porém mais doce que o espumante Chandon Réserve Brut. E, encerrando a nossa degustação na Vinícola Chandon, tivemos o Chandon Passion Rosé Demi Sec, aromático, frutado, exótico e tropical, para ser tomado com um gelinho.
A proxima vinicola visitada foi a Vaccaro Vinhos e Espumantes, uma empresa familiar fundada em 1954 por Francisco Vaccaro e seus filhos Luis e Augusto, produtores de uva.Nesta época o vinhos produzidos eram comercializados a granel, para ouras vinícolas, mas a partir de 1992 a empresa passou a comercializar seus próprios vinhos. A empresa faz  parte do roteiro turístico da Estrada do Sabor, em Garibaldi, onde o visitante além de degustar seus excelentes vinhos tem a oportunidade de desfrutar da típica gastronomia intaliana, em almoços familiares. 


A empresa tem vinhedos próprios, em torno de 25 hectares, parte deles de variedades americanas para a elaboração de sucos de uva e parte de variedades Vitis Viniferas para a elaboração de vinhos finos e espumantes. 

Fomos recebidos por Diego, um dos proprietários da vinícola e especialista em enoturismo, que conduziu a degustação de vinhos  e espumantes das linhas Degli Amici, Collina D'oro e Trifoglio.  
O Espumante Vaccaro Branco Brut Champenonise é elaborado com as uvas Chardonnay (70%) e Pinot Noir (30%), cultivadas na propriedade, o  Esumante Natural Brut Champenoise Trifoglio é uma assemblage das variedades Chardonnay, Pinot Noir e Riesling Itálico, o Vinho Tinto Fino Trifoglio Rosso é um corte de Cabernet Sauvignon com Merlot, com a potência da variedade Ancellota. 

O Vinho Tinto Fino Malbec Collina D'oro, é elaborado 100% com uvas Malbec de produção própria, com envelhecimento de 4 meses em barrica de carvalho, já o Vinho Tinto Fino Carmenére Collina D'oro é 100% Carmenére. Na ocasião tivemos a oportunidade de experimentar um Carmenére de 2014 (lado direito da foto) e um Carmnére 2018 (lado esquerdo da foto), este último ainda na barrica. Na foto é possível observar a diferença de tonalidade entre eles, correspondendo a diferença de idade entre as duas safras. 
Após a degustação tivemos uma tipico almoço italiano na casa da familia Vaccaro, com os pratos preparados pela matriarca. A vinícola conta também com uma grande área de lazer para piqueniques, trilhas e festas ao  ar livre.

A última vínícola visitada foi a Courmayer do Brasil Vinhos Ltda. fundada em 1976. No ínicio dos anos 90, impulsionada pelas caracteristicas de clima e solo da região deu início a elaboração de espumantes.
Esta vinícola se destaca pela elaboração de espumantes, todos pelo método Charmat, uma vez que a filosofia da empresa é produzir espumantes leves, refrescantes e aromáticos. O terrroir para a produção do espumantes é da Serra Gaúcha, já que a proposta é ter um produto com bastante acidez. As uvas utilizadas para a sua elaboração  são 20% de vinhedos próprios  e o restante são originárias de vinhedos de parceiros, muitos deles do municipio de Monte Belo, que tem uma levedura especial. A produção é de  600.000 litros por ano que são dedicados apenas para o mercado interno, sendo os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais os maiores compradores.  
 
Ao chegarmos a vinicola fomos recebidos pela sommelier Rose Crespão, que conduziu uma excelente degustação de quatro espumantes e um frisante, harmonizados com diferentes tipos de comidas preparados pelo chef Vani Simmoglio.



O primeiro espumante degustado foi o Executive Prosecco, elaborado 100% com uvas  da variedade prosecco e que foi harmonizado com uma mini pizza de copa, queijo e figo. O segundo espumante foi Executive Brut Rose, elaborado com as variedades Pinot Noir (90%) para dar estrutura e Moscato(10%)  para dar leveza, que foi harmonizado com um escondidinho de costela desfiada. Em seguida degustamos o espumante Executive Extra Brut elaborado a base de uvas Chardonnay que ficam 8 meses em contato com as leveduras, a harmonização foi com sanduiche de pernil de porco desfiado em molho barbecue. 

O quarto espumante foi o Executive Demi-Sec elaborado a partir das variedades Riesling Itálico e Chardonnay, levemente adocicado, acidez equilibrada e muita refrescância, que foi harmonizado com brusqueta de Ratatouille. E para finalizar o Frisante Lambrusco Tinto elaborado 100% com uvas tintas  da variedade Lambrsuco pelo método Charmat, que foi harmonizado com um brownie de chocolate. Este frisante combina muito bem com chocolate, principalmente o meio amargo. 
A vinicola tem plantado um hectare desta variedade e em todo o estado do Rio Grande do Sul são apenas 4 hectares plantados. Esta é uma variedade de uva bastante suceptivel a doenças.

E, para encerrar este dia tão agradável nada melhor do que um brinde com um belo espumante. 
 
Que venham outros tours pelas vinicolas do estado. 

 Se beber, não dirija!

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