Em meados do mês e junho (2026) participei de um jantar-degustação com vinhos gregos harmonizados com comidas típicas daquele país, na Wine&Food (https://www.winefoodemporium.com.br/).
Foi uma experiência surpreendente pela variedade de vinhos degustados, todos elaborados a partir de uvas autóctones, bem como extremamente saborosa por causa dos deliciosos pratos típicos da culinária grega preparados pelo chef Igor Miller (@~Leo Miller), que harmonizaram maravilhosamente com os vinhos.
Um pouco de história – Grécia
Antiga
A vitivinicultura na Grécia antiga
teve início no final do período Neolítico (Período da Pedra Polida - 12
mil anos atrás), quando a agricultura apareceu no Oriente Próximo,
região da Ásia próxima ao Mar Mediterrâneo, que incluía a Síria,
Líbano, Israel, Palestina, Iraque e a Mesopotâmia (Iraque Moderno) e, mais
tarde no resto do mundo, com o cultivo doméstico das uvas se tornando comum no
início da Idade do Bronze (3.300 A.C).
Ela foi a grande responsável por
difundir o cultivo de vinhas e os métodos de vinificação pelo Mediterrâneo. O
vinho era um pilar central da economia, da religião e da vida social,
comercializado em ânforas para colônias e outros povos.
As cidades-estados gregas estabeleceram
colônias por todo o Mediterrâneo, e os colonizadores, levaram as videiras com
eles e cultivaram as parreiras selvagens que encontraram. Como pode ser
observado no mapa que segue, as zonas de assentamento grego na Grécia antiga e
sua influência, dominavam grande parte das regiões costeiras do mar
Mediterrâneo e do mar Báltico, abrangendo territórios da Europa, Ásia Menor e
Norte da África.
Os Gregos antigos foram os
pioneiros no desenvolvimento de métodos de vitivinicultura e de produção de
vinhos, ajudando com o início deste processo em comunidades que hoje estão na França, na Itália e Portugal, bem como em outros
povos, através do comércio e da colonização.
Ao longo do tempo eles
influenciaram de forma marcante a vinificação na Europa antiga na parte do
Oeste da Europa; a península itálica, onde hoje é a Toscana, regiões da Turquia
e por último as terras dominadas pelos Romanos, localizadas ao longo do mar
Mediterrâneo e centradas na cidade de Roma.
Os vinhos antigos frequentemente
continham adição de água do mar, resina de pinho e especiarias para conservação
e sabor, sendo muito diferentes dos vinhos atuais.
A Grécia atual e as regiões
vitivinícolas
O território da Grécia atual é
bem menor que o da Grécia antiga. Hoje o país tem uma área de aproximadamente
132.000 km², pouco menor que o território do estado do Ceará, que é de 148.894,44
km².
Localizada no Sul e Sudeste da
Europa na península Balcânica, próxima ao mar Mediterrâneo, a Grécia consiste
em um país peninsular e montanhoso que se projeta para o mar no extremo sul
dos Balcãs, terminando na península do Peloponeso, estando
estrategicamente localizada na encruzilhada entre a Europa, a Ásia e a África.
Faz fronteira terrestre a Noroeste
com a Albânia, com a Macedônia do Norte e a Bulgária ao Norte e com a Turquia a
Nordeste. O país é cercado pelo Mar Jônico a Oeste, pelo Mar Egeu a Leste
e pelo Mar Mediterrâneo ao Sul.
De acordo com a classificação
climática de Köppen-Geiger (1900 e 1936) a mais utilizada na vitivinicultura, as
regiões vitivinícolas da Grécia se estendem de Sul ao Norte do país, entre os
paralelos de 36°N e 42°N. Nelas há o predomínio dos tipos climáticos Temperado/Csa
- Clima mediterrâneo de verão quente na porção Oeste e Sul do país, e o
Temperado/Csb - Clima mediterrâneo de verão fresco, ao Norte. O mapa apresenta
a distribuição destes dois tipos climáticos no território grego.
O relevo da Grécia é predominantemente
montanhoso, cobrindo cerca de 80% do território, com uma altitude média de
aproximadamente 498 metros acima do nível do mar. O país é marcado por uma
forte cadeia de montanhas (Cordilheira do Pindo), intercalada por pequenas
planícies, vales e milhares de ilhas.
Este tipo de relevo favorece a
vitivinicultura por garantir excelente drenagem do solo, proteção contra pragas
e alta amplitude térmica. As altitudes maiores, em regiões vitivinícolas, diminuem
as temperaturas e aumentam a incidência de raios UV, resultando em uvas com
cascas mais grossas, maior acidez, frescor e taninos mais concentrados.
As principais regiões
vitivinícolas da Grécia e dos vinhos degustados
Atualmente a Grécia cultiva mais
de 300 castas nativas e possui cinco principais macrorregiões vitivinícolas que
se estendem desde sua porção continental, ao Norte do país até as ilhas no Sul,
abrigando vinte e nove Denominações de Origem Protegida (PDOs).
As principais regiões
vitivinícolas são Santorini (Ilhas Egeias, no Sul) onde a uva estrela é
a branca Assyrtiko que gera vinhos minerais, secos e de alta acidez; a Macedônia
(Norte da Grécia) onde destaca-se a uva Xinomavro, com taninos
marcantes e grande potencial de guarda; o Peloponeso (Sul da Grécia) uma
das maiores e mais antigas regiões vitivinícolas, famosa pelos vinhos
aromáticos da uva tinta Agiorgitiko na região de Nemeia, e, Atica
no norte da península do Peloponeso
Os vinhos degustados
Os vinhos degustados no jantar
foram elaborados com as castas provenientes das seguintes regiões, por ordem de
degustação: 1) Noroeste do Peloponeso-Mantineia (branco), 2)
Nordeste do Peloponeso-Acaia (rose), 3) Noroeste do
Peloponese-Nemea (tinto), 4) Norte da Macedônia-Naoussa (tinto)
e 5) Norte do Peloponeso-Patras (colheita tardia), como
pode ser observado no mapa.
Os vinhos degustados
Bibliografia:
https://www.google.com/search?q=regioes+vitivinicolas+da+grecia+antiga&sca_esv=
https://www.dadosmundiais.com/europa/grecia/index.php
https://pt.wikipedia.org/wiki/Vinicultura_na_Grecia_antiga
https://www.vinhoscollection.com.br/mavrodaphne?
https://www.divvino.com.br/vinho-grego-cavino-naoyssa-xinomavro
https://www.winelands.com.br/produto/nemea-agiorgitiko-pdo/
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