quinta-feira, 16 de julho de 2015

VILLA BARI-A VINÍCOLA DA ZONA RURAL DE PORTO ALEGRE



Recentemente em um evento de degustação de vinho, para minha surpresa descobri que na zona rural de Porto Alegre, RS, há um vinícola, ao estilo das vinícolas boutiques, produzindo bons vinhos. 

 


Em geral, quando pensamos em vinícolas no Brasil, imediatamente nos remetemos a Serra Gaúcha, pois esta fica ali, quase na esquina de casa.Tivemos a oportunidade de visitá-la e degustar  bons vinhos, além de desfrutar de um cenário encantador rodeado por afloramentos de granitos (abundantes na região), que estão integrados ao prédio da própria vinícola, como também da antiga residência do proprietário e nos pilares de granito rosa, esculpidos por artesãos locais, que sustentam as espaldeiras onde crescem as uvas.  

 

Os vinhedos da vinícola Villa Bari (http://www.villabari.com.br/2014/villabari.php) estão localizados nas colinas de Porto Alegre, no bairro Vila Nova, onde fomos recebidos por seu proprietário, o administrador de empresas aposentado, Luiz Alberto Barichello, neto de italianos originários do Vêneto, que  resolveu resgatar  suas raízes e seu amor pela terra e o vinho criando a Villa Bari em 2001. 

  Nosso grupo na companhia do dono da Villa Bari, o sr. Barichello (ao centro) e a enóloga, a sra. Natália (de echarpe branca)


Em contato com a enóloga da propriedade, a Sra. Nátalia Frighetto, marcamos uma visita a vinícola e uma degustação dos vinhos nela produzidos, e de vinhos das outras vinícolas das quais o Sr. Barichello também é proprietário em parceria com outros amantes do vinho, a Villa Triturris(http://www.villabari.com.br/2014/triturris.php), próximo a Firenze, a L'Arco Vini (http://www.villabari.com.br/2014/larcovini.php), próximo a Verona, na Itália e a Villa Agrelo (http://www.villabari.com.br/2014/villaagrelo.php), próximo a Mendoza, na Argentina. 

 

Ao chegarmos a vinícola, num sábado pela manhã, frio mas ensolarado,  ficamos encantados com a paisagem e a beleza do lugar, e enquanto esperávamos pela enóloga que conduziria a visita e a degustação, escutamos a história da sua criação contada pelo seu proprietário. 

 

O Sr. Barichello nasceu na cidade de Garibaldi, RS, reconhecida nacionalmente pela sua produção de excelentes espumantes e vinhos, que foi  fundada por seus avós que chegaram ao Brasil em 1885. Desde criança ele sempre conviveu no ambiente da vinicultura uma vez que na infância e na adolescência ele ajudava os avós na colheita das uvas e na produção do vinho e seu pai possuía uma tanoaria, que fornecia tonéis de madeira para as vinícolas. 

 

Desta forma ele passou a cultivar a paixão pelos vinhedos e pelo vinho, formando um memória olfativa que ele tenta reproduzir nos vinhos produzidos em suas vinícolas. Uma história que ele gosta de contar.

 

Na região Sul do Brasil onde está localizada a Villa Bari,  o clima é subtropical caracterizado por verões quentes e invernos frios, com chuvas bem distribuídas ao longo do ano, o que é bastante adequado para o cultivo das uvas. Na vinícola são produzidas as uvas Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot e Tannat, que se adaptaram muito bem as características do terreno e ao microclima local. 

 

Estas características de terreno e clima são adequados para o cultivo de uvas dedicadas à vinificação pelo método tradicional de appassimentto (aplicado em Valpolicella), utilizado na região do Vêneto,  para concentrar aromas e sabores ao vinho, por meio da secagem da uva, pelo período de 3 a 4 meses antes da vinificação. É muito utilizado para fazer vinhos modernos, principalmente o Amarone.

 

Para a degustação foram servidos cinco vinhos, produzidos na Villa Bari   e nas vinícolas italianas: Villa Bari Espumante Rose, Villa Bari Gran Rosso, L'Arco Vini Rosso, Triturris Rosso Toscano-IGT e Turris Chianti Clássico-DOGG (da esquerda para a direita nas duas fotos).

O primeiro vinho a ser servido foi o  Villa Bari Espumante Rose Natural Brut é elaborado com uvas Chardonnay e Pinot Noir, apresenta cor salmão claro com nuances rosa, límpido e brilhante, com perlage fina e intensa. Bem estruturado, com volume em boca, equilibrado, persistente e com retrogosto marcante e bastante agradável. Infelizmente não há mais estoque de garrafas para a venda, as restantes são utilizadas apenas para degustações. 

 

Na sequencia degustamos o Villa Bari Gran Rosso 2005, que ao final da degustação demonstrou ser o preferido de todos. Elaborado com corte bordalês (Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc), apresenta coloração rubi intenso com nuances violáceos, aromas de ameixa preta seca, amora, cereja e uva passa.  Neste vinho é utilizado o método appassimento, o que lhe dá um sabor e um caráter todo especial. É um vinho equilibrado, com presença de taninos maduros, acidez  perceptível, boa intensidade e persistência. Foi o grande sucesso da degustação.


O terceiro vinho a ser degustado foi o L'Arco Vini Rosso del Veronese-IGT, elaborado com as variedades Corvina, Rondinella, Molinara, San Giovese e um toque de Teroldego.Este vinho é produzido na vinícola L'Arco Vini, em Valpolicella, ao lado de Verona, Itália. Tem uma cor rubi intenso, com reflexos de grená, apresenta boa estrutura e aromas intensos. 


O quarto vinho a ser degustado foi o Triturris Rosso Toscano-IGT, elaborado com uvas tintas Sangiovese, Cabernet Sauvignon, Merlot e um toque de Malbec, de vinhedos cultivados nas colinas de Mezola, próxima a Cerbaia, da vinícola  Villa Trituris, na Toscana. As uvas Malbec utilizadas neste vinho são fruto de uma experiência implantada na vinícola. De coloração rubi claro, apresenta aromas de frutas silvestres, toque amadeirado, acidez média com final de boca prolongado. É um vinho que harmoniza bem com vários tipos de comida. 


O último vinho a ser degustado foi o Turris Chianti Clássico-DOCG, também da vinícola Villa Triturris. Esta região de Cerbaia, na Toscana, é onde se localiza  o território do Chianti Clássico. O Chianti Clássico provavelmente é  o vinho italiano mais famoso do mundo. Essa foi a primeira região vinícola do mundo a ser delimitada em 1716. O seus terrenos com colinas entremeadas de parreiras, oliveiras e ciprestes, aliado a um clima continental com chuvas anuais entre 800 e 900mm, são adequados para a produção deste tipo de vinho. 

 

O vinho é elaborado em sua maioria com a uva Sangiovese e uma pequena parcela de Cabernet Sauvignon. O Chianti Classico é produzido nos tipos Rosso e Riserva. Este da vinícola atende as exigências do tipo Rosso, e por esta razão matura por 18 meses em tonéis de carvalho misto. Apresenta coloração vermelho rubi intenso, aromas a frutas pretas, taninos equilibrados, retrogosto acentuado e final de boca persistente. 

 

Sem dúvida nenhuma os campeões da degustação foram o Villa Bari Gran Rosso, o Villa Bari Espumante Rose Natural Brut e o Turris Chianti Clássico, nesta ordem. Todos podem ser adquiridos pelo site da vinícola Villa Bari. 

 

Mas o melhor de tudo é que foi uma manhã agradável, na companhia de bons  amigos, bons vinhos e a degustação foi conduzida de forma muito agradável e descontraída pela enóloga. Como mencionou um dos participantes do grupo: "Local espetacular, vinho muito bom, excelente companhia. Resultado: faltou vinho".

 

 Se beber, não dirija!

 







domingo, 12 de julho de 2015

NOVOS TERROIRS-OS VINHOS DE CAMPOS DE CIMA

Depois de um longo período com o pulso quebrado, por causa de um tropeço em uma calçada mal cuidada, finalmente  posso retomar e finalizar este artigo, sobre minha experiência de um almoço  harmonizado, no dia 5 de junho, durante as comemorações do Dia do Vinho. Este delicioso almoço foi organizado pela Vinho & Arte Casa (http://www.vinhoearte.com/index.php) para um grupo de 10 pessoas, com vinhos da Boutique de Vinhos Campos de Cima (http://camposdecima.com.br/index.php), que contou com a participação da enóloga uruguaia María Soledad Mello Escanellas (ao fundo na foto),  que discorreu sobre o terroir de Itaquí, influências internacionais em sua carreira e o magnifico projeto Campos de Cima.
 
A enóloga, apesar de jovem, já carrega uma grande experiência internacional na elaboração de vinhos. Com curso técnico em enologia no Uruguai, graduação em enoturismo no Chile e em  enologia na Austrália,  já trabalhou em vinícolas da Califórnia, África do Sul, Austrália e no Chile, morando inclusive na própria vinícola, em  algumas delas. Entre as vinícolas nas quais ela atuou estão a Miolo em Bento Gonçalves, na Quinta do Seival em Bagé, no Douro em Portugal, em Punta del Este na Alto da La Ballena e no estado de Washington, nos Estados Unidos.

A Boutique Campos de Cima (http://www.camposdecima.com.br/)  está localizada a 80km da cidade de Itaqui (https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:RioGrandedoSul_Municip_Itaqui.svg), município localizado no sudoeste do Rio Grande do Sul, as margens do rio Uruguai, na divisa do Brasil com  Argentina, na latitude Sul de  29º07'31", já no Pampa Gaúcho.

Esta vinícola  é uma propriedade familiar com mais de 150 anos, com tradição em pecuária. A região, com grande potencial  para a vitivinicultura, incentivou seus proprietários, José Silva Ayub e Hortência Ravache Brandão Ayub, a iniciarem um  projeto de implantação de 15 hectares de vinhedos, em uma coxilha denominada Campos de Cima,  que dá nome a vinícola.

A proposta da vinícola é fazer vinhos que tenham o nome do lugar, que lembrem a origem do terroir. Os vinhedos da Campos de Cima foram implantados no período de 2002 a 2004 e a primeira safra ocorreu em 2006, da uva Tannat, quando foram geradas apenas 5 mil garrafas, colocadas no mercado em 2009. São também cultivadas na vinícola as uvas Ruby Cabernet, Chardonnay, Viognier, Pinot Noir, Merlot, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Shiraz, Malbec e Tempranillo.


O cardápio do almoço harmonizado foi de muito bom gosto e a sala onde está a mesa na qual foi servido  o almoço,  rodeada de um belo estoque de bons vinhos, fica ao lado de uma  simpática varanda complementada por um  jardim que faz com que o conviva não queira ir embora. Nesta varanda recebemos as boas vindas, com um Espumante Campos de Cima Extra Brut, acompanhado do couvert com pães e passas.



Este espumante ganhou Medalha de Ouro no Concurso Mundial de Bruxelas, em  2013; Medalha de Prata no GP Vinhos do Brasil, em 2015 e Comenda - International Wine Challenge, Londres, em  2015. Elaborado pelo método tradicional, com uvas Chardonnay e Pinot Noir de vinhedo próprio, é um espumante fino, elegante e harmônico, com aromas cítricos, mesclados a néctar e tâmaras. O vinho espumante está muito associado a momentos de alegrias e de boas-vindas, e o Espumante Campos de Cima funcionou perfeitamente como quebra-gelo, em um almoço onde os convivas não se conheciam. Não demorou nem  o tempo de finalizar a primeira taça para que todos já estivessem descontraídos,  começassem a se conhecer e entrassem no clima harmonioso do almoço que estava por vir. 

O primeiro prato quente a ser servido foi o Amouse Bouche (aquelas comidinhas que você devora em uma ou em duas bocadas, no máximo, alguns chamam de finger food, em geral precedem uma refeição) que era um creme de moranga com  especiarias, delicioso, que veio acompanhado do vinho Campos de Cima Viogner 2014. 

 
Este vinho é elaborado com uvas Viognier e Chardonnay, apresenta cor amarelo claro com reflexos esverdeados, com notas florais a jasmim e violetas  e notas cítricas a lima. Deve ser servido a temperatura de  8 a 10ºC, e harmonizou perfeitamente com o creme de moranga, mas também vai muito bem com peixes e frutos do mar. Como a Campos de Cima é uma vinícola boutique, foram produzidas apenas 1200 garrafas deste vinho. Ele ganhou a Comenda - International Wine Challenge, em Londres, 2015 e a Medalha de Prata no GP Vinhos do Brasil, em 2015.


  


Na sequencia foi servida a entrada, uma salada de folhas e frutas (alface, repolho, melão e tomate cereja) que veio acompanhada do vinho Campos de Cima Irene Antonieta Rosé, 2014. Seguindo a tradição da vinícola de fazer vinhos que  tenham o nome do lugar este  foi criado para homenagear uma avó materna da proprietária da vinícola, a Sra. Irene Antonietta, que era uma apaixonada por vinhos rosés. Ele foi foi elaborado sob a assessoria dos enólogos franceses, Michel e Annabelle Fabre, da Provence, especialistas em vinhos rosés de tonalidades claras.Michel é enólogo-chefe da conceituada vinícola Villa Baulieu. A Provence é a  mais prestigiada região francesa produtora de rosés do mundo.

A cor deste vinho  não é exatamente rose, é um blush. Com uma edição limitada de apenas 1,6 mil garrafas, este vinho traz  uma perfeita combinação das uvas Cabernet Sauvignon e Merlot, muito frutado com destaques de morango e ameixas associado com notas cítricas de laranjeiras e limas. Deve ser servido a temperatura de 8 a 10º C e vai muito bem com saladas, peixes e outros tipos de carnes brancas, molhos de ervas finas e também sobremesas.Próprio para ser degustado no verão ou em momentos festivos, como este almoço.




 
Para o prato principal, um Risoto de Charque à moda das Estâncias, foi servido o vinho Campos de Cima Origem 2014 elaborado com uvas Merlot, Tannat, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc. Com exceção da uva Tannat, todas as outras são os uvas permitidas para o  corte bordalês. Este vinho é elaborado com as uvas da primeira parreira que foi plantada na vinícola, por esta razão o nome Origem. De cor vermelho granada com tons de púrpura, com notas típicas que identificam bem o seu terroir, apresentando características de  ameixas, pitangas e destaques de trufas. Deve ser servido a 18º C e apresenta boa  persistência. Combina muito bem com massas, molhos temperados e distintos tipos de queijo. Foram produzidas apenas  8.000 garrafas e ele premiado com a Comenda - International Wine Challenge - Londres,  2015.


 

Juntamente  com o risoto foi servido também o vinho Assinatura 2014, elaborado com uvas Malbec, Shiraz e Tannat. Apresenta cor rubi brilhante, aromas de  frutos vermelhos e notas de tabaco e pimenta negra, com boa persistência. Deve ser servido a temperatura de 18ºC. Vai muito bem com carnes vermelhas, caças e massas com molhos temperados. Deste vinho foram produzidas apenas 1.500 garrafas e ele foi premiado com a Comenda - International Wine Challenge - London 2015.





Neste momento do almoço a enóloga pediu para que experimentássemos o vinho Viogner com o risoto de charque e todos ficamos surpresos de ver como harmonizou perfeitamente. Este vinho além de combinar  com o creme de moranga vai muito bem também com comidas com mais personalidade, como o risoto de charque, uma vez que tem estrutura e acidez equilibrada que trabalha muito bem com a carne. 

Encerrando o almoço foi servida uma deliciosa ambrozia caseira. Depois de tudo isto, embalados por estes deliciosos vinhos, os participantes do almoço que não se conheciam antes dele iniciar, agora já eram grandes amigo desde criancinhas
Além da harmonização perfeita conduzida  pela enóloga com muita propriedade e simpatia, quero dar também os meus parabéns a excelente cozinheira, Lisa, e seu fiel escudeiro, Diogo, que não mediram esforços para tornar este almoço tão agradável. 


GEOGRAFIA DO VINHO - OS EFEITOS DO SUPER EL NIÑO 2026-2027 NO PANORAMA MUNDIAL DO VINHO

Cientistas estão anunciando a configuração de um poderoso El Niño, com o aquecimento do Pacífico Equatorial entre agosto e outubro-2026, int...