segunda-feira, 11 de março de 2024

VINHOS ESPUMANTES, JÁ É UMA TENDENCIA SEU CONSUMO EM QUALQUER MOMENTO E NÃO APENAS NAS CELEBRAÇÕES

Até bem pouco tempo, tradicionalmente o consumo de vinhos espumantes em todo o mundo estava atrelado a ocasiões festivas, principalmente as comemorações do Ano Novo e as festas de casamento. Nestas ocasiões o champagne era mais que a bebida preferida, era praticamente impossível celebra-las sem degustar este líquido tão desejado.


Porém, a expansão em nível internacional do Prosecco (espumante feito na Itália), bem como do francês, do espanhol e do restante dos vinhos espumantes de qualquer ponto do mundo, possibilitou o aparecimento de uma nova tendência, que é o consumo deste tipo de vinho em qualquer momento do ano e em lugares diferentes, independente das festividades de fim de ano, casamentos ou de qualquer outra data. 


Com isso, o espumante deixou de ser aquela bebida quase inacessível e consumida única e exclusivamente, em ocasiões muito, muito, muito especiais. Na última década se observa uma nova tendência, em todo o mundo e cada vez mais forte, de que qualquer momento do ano, não importa onde, é um bom momento para o consumo deste tipo de vinho.

Graças a Deus, porque eu sou uma fã incondicional de espumantes e, qualquer coisa, é um belo motivo para tomar essa bebida dos deuses.

Pode-se dizer que o consumo de espumantes se generalizou na última década e já é bastante habitual os apreciadores de vinho acudirem a vinotecas, restaurantes e bares e poder pedir uma taça de espumante. Aliás, já existem formatos de cálices que se pode fincar na areia e desfrutar de um belo espumante na beira da praia, como eu já vi mais de uma vez. 

Essa bebida maravilhosa recebe diferentes nomes de acordo com o seu país de origem e o método de fabricação. Assim, tem-se:

  • Asti (Itália) – elaborado com uva Moscato, por meio do método Asti — o processo de fermentação é suspenso por resfriamento assim que se chega a um determinado nível de álcool e açúcar. O mais conhecido é o tradicional Moscato D’Asti, aqui no Brasil conhecemos por Moscatel;
  • Champagne – elaborado pelo método tradicional (champenoise), com as variedades Pinot Noir, Pinot Meunier (tintas) e Chardonnay (branca) e produzido exclusivamente na região de Champagne (IG) na França;
  • Cremant e Mousseaux – produzidos em toda a França, com exceção da região de Champagne. Recebe o nome de Cremant quando elaborado pelo método tradicional (champenoise) e Mousseaux, quando pelo método Charmat, principalmente com as uvas, Chenin Blanc, Pinot Blanc, Ugni Blanc, Semillon e Cabernet Franc;
  • Cava (Espanha) - elaborado pelo método tradicional (champenoise), é produzido a partir de várias cepas, as mais tradicionais são as uvas nativas da região onde é elaborado, como Maccabeo, Parellada e Xarel-lo;
  • Prosecco (Itália) - originário do Vêneto, é elaborado com a uva Glera por meio do método Martinotti-Charmat. O Brasil produz bons exemplares de Prosecco;
  • Sekt (Alemanha) - famoso pelo seu aroma agradável e forte acidez, elaborado pelo método tradicional (champenoise), especialmente com uvas Riesling, Pinot Blanc (Weissgurgunder) e Pinot Grigio (Rülander).

A denominação Sparkling Wine, literalmente “vinho espumante” é utilizado nos países de língua inglesa para este tipo de vinho, no Brasil utilizamos a palavra Espumante, e em países de língua espanhola como Argentina e Chile, eles utilizam a palavra Espumoso.   

 Produção:

A Organização Internacional da Vinha e do Vinho – OIV, publicou em Abril de 2020 o Relatório OIV Focus - The Global Sparkling Wine Market, que tem como objetivo fornecer uma visão geral da evolução recente do mercado global de vinhos espumantes. Nele foi analisada a produção e o consumo deste vinho em nível mundial e nacional e estudada a dinâmica do comércio internacional. Para tal foram coletados dados em 82 países durante o período de 2002-2018 (https://www.oiv.int/public/medias/7291/oiv-sparkling-focus-2020.pdf).

Uma das motivações para o estudo é que nos últimos vinte anos, o mercado de vinhos espumantes expandiu-se a um ritmo acelerado em resposta à elevada procura global. Em 2018, a produção mundial atingiu pela primeira vez os 20 milhões de hectolitros, com um aumento global de +57% desde 2002, isto é, em média, +3% ao ano (OIV, 2022). 

A produção de espumantes é distribuída por todo o mundo. No entanto, a maior concentração de países produtores está dentro da União Europeia, com quatro países se destacando.


Fora da União Europeia, os Estados Unidos se destaca com 6% (1,3 mhl em 2018) do total da produção mundial. A maior parte da produção vem do Vale do Napa, na Califórnia, onde o volume de produção em 2018 correspondeu a 77% (1 mhl) do total nacional.

O mapa apresenta a distribuição, por países, da produção de vinho espumante por 1.000 hl, em 2018.


Embora a produção de vinhos espumantes permaneça concentrada nesses cinco países,  novos países produtores estão surgindo no cenário mundial nos últimos anos, entre eles o Brasil. Quatro registaram aumentos significativos na sua produção de vinho espumante durante o período 2008-2018.

Por ordem da taxa média de crescimento anual, tem-se: Reino Unido (+33%/ano), Portugal (+18%/ano), Brasil (+7%/ano) e Austrália (+3%/ano).  No Reino Unido os vinhos espumantes representam mais de 70% da produção total de vinho nacional.

Consumo:

A partir do início deste século (2000) o consumo mundial de vinhos espumantes aumentou significativamente. O gráfico que segue para o período de 2002 a 2018 apresenta este aumento de forma consistente, com uma taxa média anual de 3% com exceção dos anos de 2009-2010, quando a crise econômica global impactou negativamente nas vendas.

 

No consumo global de vinho em 2002, o de  espumantes foi de 5 % e em 2018 eles já representavam 8% do consumo total. Um dos fatores para esse sucesso global é a dessazonalização do consumo, isto é, já não está mais ligado às celebrações de fim de ano, casamento, formaturas, etc., aliado  a uma oferta mais diversificada  de marcas e preços bem mais acessíveis que no passado recente.

Como consequência o consumo de vinho espumante, nos dias de hoje, tende a ser mais regular. Ninguém mais espera por uma ocasião super especial para consumi-los, o que leva a uma maior proporção de consumidores,  de todas as faixas etárias e poder aquisitivo, com especial atenção as mulheres e jovens.  

Em 2018, 62% do consumo de vinho espumantes era representado por cinco países, conforme apresentado na tabela. 


A rápida expansão do mercado para vinho espumante no  Reino Unido, que registrou uma média de 7% ao ano, desde 2008, coloca-o em sexto lugar em termos de consumo  desde 2018, com 1,5 mhl.

O mapa apresenta o consumo de vinho espumantes, por países, em 2018 em 1.000 hl. 


A porcentagem dos seis maiores países consumidores diminui de 76% em 2008 para 70% em 2018. Ao mesmo tempo, parte do consumo representado por outro países, entre eles o Brasil, aumentou 1,7 milhões de hectolitros. Essa variação pode ser atribuída, em grande parte, ao aumento do consumo nos países emergentes.

Neste estudo da OIV, no item referente ao consumo de vinho espumante nos países emergentes, foram considerados apenas os países com volumes de consumo em 2018 iguais ou superiores a 100 khl e um crescimento médio anual igual ou superior a 3%, assim tem-se: México (+13%), Suécia (+11%), Canadá (+8%), Brasil (+8%), Japão (+5%), Austrália (5%), Suíça (4%) e Argentina (3%).

Brasil:

De acordo com a Ideal Consulting, empresa de inteligência de mercado referência no segmento, o espumante caiu no gosto dos brasileiros. Quando se compara seu consumo  nos anos de 2021 e 2022, o espumante nacional apresentou um crescimento de 2% nas vendas  em 2022 e os importados registraram um acréscimo de 28% se comparados a 2021.

O consumo de vinho espumante no Brasil tem se tornado cada vez mais popular. Mesmo ainda sendo tradicionalmente associado a celebrações e ocasiões especiais, observa-se uma tendência de desmisitificação dessa bebida, sendo consumida cada vez mais no dia a dia pelos apreciadores e em casas noturnas (Danilo Bianculli, Jornal de Uberaba, 2022).

Os dados referentes ao consumo apontam um crescimento rápido no país. Os números passaram de 25,9 milhões de litros em 2019 para 30,6 milhões em 2022, correspondendo a uma alta de 18,1%.

Durante o período da pandemia houve uma queda devido as restrições a eventos e celebrações, impostas pelos cuidados sanitários adotados pelos países. Mas, com a pandemia sobre controle e o consequente término das restrições, o consumo de vinho espumante passou a apresentar uma subida no consumo.

De acordo com a Embrapa/Uvibra (2022), os espumantes brasileiros alcançaram 30,3 milhões de litros comercializados no país entres os meses de janeiro e dezembro de 2021, correspondendo a um aumento de 40% a mais se comparado com o mesmo período de 2020. A exportação de espumantes brasileiros ultrapassou 930 mil litros em 2021, 21% a mais do que em 2020. E, nesse mesmo ano 85% dos espumantes comercializados no Brasil eram nacionais, mostrando que o produto nacional tem qualidade e caiu no gosto do consumidor brasileiro, sendo uma grande aposta dos produtores nacionais.

Segundo a Associação Brasileira de Enologia (ABE), em 2021, o Brasil recebeu o número recorde de 414 medalhas e, dessas, 303 foram para espumantes. Os prêmios vieram de 18 concursos realizados na Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Espanha, França, Grécia, Hungria, Inglaterra, Luxemburgo e Portugal.

A taça criada especialmente para degustar os espumantes brasileiros foi desenvolvida artesanalmente com a melhor tecnologia em cristaleira, sendo relançada em 2021 e patenteada em 2022. Com seu formato cônico e sua textura porosa ampliam a produção e a duração da perlage, resultando numa explosão de frescor, aromas e sabores. Ela foi criada a partir de uma parceria entre a Embrapa Uva e Vinho, a Associação Brasileira de Enologia (ABE) e a Strauss de Santa Catarina. Maiores informações em https://strauss.com.br/taca-oficial-do-espumante-brasileiro/.


O espumante brasileiro é produzido principalmente na Serra Gaúcha, estando entre os vinhos mais premiados do Brasil. Porém, na grande maioria das vinícolas brasileiras, distribuídas em onze estados e quatro regiões fisiográficas, é produzido uma grande variedade de vinho espumante. Mesmo sem figurar entre os grandes produtores mundiais em volume, o país reúne condições ideais para a produção de espumantes que, além da qualidade, chega ao mercado com preço competitivo.

Bibliografia:

https://www.vinhosdomundostore.com/post/crémant-um-champagne-mais-acessível

https://exame.com/casual/champagne-e-cremant-qual-a-diferenca-entre-os-dois-vinhos-espumantes/

https://www.oiv.int/the-boom-of-sparkling-wine-on-focus

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/10/29/vinhos-por-que-o-mercado-aposta-em-espumantes-e-brancos-para-reverter-consumo-em-queda.ghtml

 

https://www.nexojornal.com.br/grafico/2022/12/26/espumante-brasileiro-corresponde-a-855-do-mercado-nacional

https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/68396017/exportacao-de-espumantes-brasileiros-ultrapassa-930-mil-litros-em-2021

http://www.uvibra.com.br/noticias/04-04-2022-mercado-interno-vinhos-finos-espumantes-e-suco-comecam-2022-em-alta


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quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

GEOGRAFIA DO VINHO - O VALE DO RIO MOSEL, ALEMANHA, E OS BELÍSSIMOS VINHOS RIESLING

 

Eu sou bisneta e neta de alemães que chegaram ao Brasil em meados do século 20 e, por essa razão, a culinária alemã sempre fez parte do cardápio em minha casa e aprendi a fazer vários pratos típicos. Porém, apesar de participar frequentemente de degustações de vinho encontrar uma que faça harmonização entre comida alemã e vinhos alemães, é uma verdadeira raridade, mesmo aqui no Sul do Brasil, onde a imigração alemã foi mais expressiva. 

E olha que a culinária alemã cai como uma luva com vários tipos de vinhos, e mais, não é verdade que alemão só toma cerveja. Viajei várias vezes para a Alemanha, principalmente a trabalho, e em 90% dos jantares e eventos para os quais fui convidada a bebida era vinho, principalmente os brancos maravilhosos.

Porém, como aqui no Brasil a imagem dos alemães está muito ligada a Oktoberfest, muitos poucos lembram dos vinhos alemães e quando lembram, harmonizam com comidas não alemãs. Até com comida asiática já encontrei em um site onde havia sugestões de harmonizações, mas nem uma palavra sobre comida alemã.

Por essa razão, no final do ano passado, convidei alguns amigos amantes do vinho para um jantar em minha casa com o intuito de mostrar um pouco da comida alemã e sua harmonização com o Riesling, a mais emblemática casta de uva dos vinhos alemães. O menu do jantar foi tipicamente alemão, para poder desfrutar de um típico Riesling do Mosel:   

  • Knödel -  uma bola de massa (com formato parecido com bolinho de carne) feita a base de pão dormido (Semmelknödel), farinha e especiarias, pode ser feito também com batatas;
  •  Schnitzel – um tipo de bife à milanesa feito com filet de carne suína. A carne deve ser batida com um batedor de bife até ficar bem fininha;
  •  Ofenkartoffel mit feinen Kräutern – batatas cozidas com ervas finas;
  •  Páprica Schnitzel - que é um molho feito com uma mistura de páprica doce e picante, nata e um tablete de carne, simplesmente maravilhoso e que combina muito bem com os pratos mencionados acima. 

E, para encerrar o jantar, uma amiga de longa data (também descendente de alemães) fez como sobremesa um belíssimo Apfelstrudel (especialidade dela), doce bastante conhecido por todos, que consiste basicamente em uma massa folhada polvilhada com açúcar de confeiteiro e recheada com maçãs, passas e canela, que foi devidamente acompanhado de um espumante blanc de blancs.

Para harmonizar com o jantar servi um típico Riesling do Vale do Mosel, a principal região produtora deste tipo de vinho na Alemanha, e que é justamente conhecida e famosa mundialmente por produzir excelentes Riesling.  Foram servidos também na entrada um espumante Rosé e quando o Riesling acabou, um Rosé da Serra Gaúcha. 


O curso do rio Mosel (Alemanha) começa na França (Moselle), corre pelo território de Luxemburgo (Musel) e adentra o território da Alemanha onde flui por 250 km desaguando mais adiante, no rio Reno, que segue o seu caminho até o Mar do Norte. É ao longo deste sinuoso desfiladeiro onde o rio corre na Alemanha, que encontramos o mais clássico vinho Riesling do mundo.


O vale do rio Mosel, localizado entre as latitudes de 49° e 50° Norte, é uma das 13 regiões vitivinícolas alemãs (Weinbaugebiete) para vinhos de qualidade e que levam o nome do rio em seu rótulo sendo a terceira maior área produtora de vinhos da Alemanha.

É onde se concentra a maior área de cultivo da variedade Riesling em todo o mundo, com cerca de 9 mil hectares destinados a essa uva. É também, a maior em extensão territorial no cultivo de vinhedos em encostas, sendo a região vitivinícola mais antiga da Alemanha. A uva Riesling representa mais de 61,5% das terras vitivinícolas e, o vinho Riesling, foi registrado pela primeira vez no país em 1435, ou seja a 589 anos. Muitos consideram-na a região líder em termos de prestígio internacional. 


Ela está localizada no estado federal da Renânia-Palatinado, no Oeste do país, cobrindo os vale do Médio Mosel a montante ao Sul da bacia, nas proximidades de Trier e do Baixo Mosel até sua foz em Koblenz mais ao Nordeste na confluência com o rio Reno.

 Acredita-se que a viticultura foi trazida para esta zona pelos romanos que plantaram vinhas ao longo do Mosel e do Reno para terem uma fonte local de vinho para as suas guarnições. O vinho Mosel do período romano foi descrito como encorpado e "austero". Dizia-se que era um vinho mais fácil de beber do que o de outras áreas romanas. Um pouco diferente do que conhecemos do Riesling de hoje em dia, que se caracteriza por um vinho mais leve e com teor alcoólico não muito elevado.

O que torna o Vale do Mosel tão especial para este vinho e uva é uma combinação de geologia, geografia e história que torna esta região vitivinícola única. O vale é conhecido pelas encostas íngremes ao longo do rio, onde estão localizados os vinhedos. Estas são consideradas uma das áreas vitivinícola mais intensivas em mão-de-obra, do mundo, uma vez que a colheita mecanizada é impraticável, devido a forte inclinação do terreno. Isso faz com que sejam necessárias quase sete vezes mais horas de trabalho no Mosel do que em outras regiões vitivinícolas, com relevos mais suaves, como por exemplo o Médoc, na França.

Com encostas voltadas para Sudeste, Sul e Sudoeste (típico do hemisfério Norte) o que favorece a exposição solar das vinhas e, com inclinações que chegam a 68%, o vinhedo Calmont é considerado o mais íngreme registrado na Europa, pertencendo à vila de Bremm (veja localização na figura acima), sendo assim conhecido como Bremmer Calmont, onde a casta predominante é a Riesling. Ele está localizado em uma imponente e característica curva formada pelo rio Mosel, abrangendo cerca de trinta e três hectares de ardósia mineral, misturada com quartzito e arenito.

 

A região vinícola do Mosel tem um clima continental setentrional marcado por temperaturas amenas. A temperatura média anual do vale do Mosel é de 10°C, com a presença de invernos pouco rigorosos e praticamente sem geadas. Nesse período as temperaturas médias do meses mais frio giram em torno de 1 a 5 °C, sendo dezembro e janeiro os meses mais frios. Durante os meses de verão, o clima é quente com as temperaturas médias de julho, o mês mais quente, em torno de 18 °C. As chuvas são bem distribuídas ao longo do ano

 Devido a estas temperaturas mais amenas, o amadurecimento da uva Riesling é mais lento se comparado à outras regiões alemãs, por essa razão ela permanece mais tempo na videira. Isso permite o acúmulo de compostos aromáticos que são passados aos vinhos posteriormente.

A Riesling é uma uva que tolera climas mais frios e a topografia do vale do Mosel oferece várias características importantes que ajudam no amadurecimento das uvas:

  • Primeiro, o rio Mosel, que serpenteia pelo vale, reflete a luz do sol nas vinhas. Além disso, o rio ajuda a moderar a temperatura ambiente à noite, irradiando o calor que absorveu durante o dia;
  • Em segundo lugar, as encostas íngremes ao longo do rio permitem aos viticultores orientar as vinhas para que possam obter a maior exposição solar possível durante o dia. Essa inclinação permite que a luz solar mais direta entre em contato com as vinhas;
  • A elevada incidência de raios solares nos vinhedos, faz com que a uva Riesling seja mais aromática, o que dá aos vinhos um caráter refrescante e longevo, alguns podendo envelhecer por anos;
  • Adicionalmente, a forte presença da luz solar influencia o teor alcoólico dos vinhos com alguns exemplares apresentando menos que 7% de álcool em sua composição;
  • A composição do solo que conta com elevada presença de calcário, o que facilita a maior retenção de calor, é outro fator importante para o cultivo exitoso da uva Riesling.

 Mas e o vinho que tomamos no jantar?

É o Selbach Oster Zeltinger Himmerlreich Riesling Kabinett 2019, produzido pela renomada vinícola Selbach Oster, uma das maiores estrelas da região do Mosel, na Alemanha, e detentora dos melhores vinhedos de Zeltingen.

Zeltingen-Rachtig é um município da região do Mosel conhecido por seus vinhos da uva Riesling. Localizado em uma curva do rio Mosel, é composto por aldeias gêmeas que foram oficialmente documentadas como uma entidade combinada, no início de 1085, embora os rótulos dos vinhos apresentem apenas “Zeltinger” seguido do nome do vinhedo. Zeltingen-Rachtig está na Latitude de 49° 57’ 26” Norte e Longitude 7° 57’ 38” Leste, em uma altitude de 120m, na região do Mosel-Saar-Ruwer. 

 

Este vinho é elaborado 100% com uvas Riesling, sendo uma verdadeira expressão do terroir alemão, apresentando no aroma a delicadeza dos cítricos e um toque elegante de mineralidade defumada.


O Riesling alemão é conhecido por envelhecer bem. Um vinho de um produtor de qualidade de grande colheita pode durar até 40 anos. Mesmo vinhos com preços modestos podem envelhecer 5 anos e desenvolver uma tonalidade dourada profunda com aromas de mel e petróleo.

 Texto: Sausen, T.M.; Jan.2024

Fontes:

https://winefolly.com/deep-dive/mosel-valley-wine-guide/

https://www.mistral.com.br/regiao/mosel

https://www.enocultura.com.br/curiosidades-sobre-regioes-mosel/

https://www.vivino.com/BR/pt-BR/selbach-oster-zeltinger-himmelreich-riesling-kabinett/w/1666677

https://www.rimontgowineries.com/blog/bremmer-calmont-2/

https://en.wikipedia.org/wiki/Mosel_(wine_region)#:~:text=

 https://www.city-vino.com/blogs/blog/mosel-climate-change-and-dr-leimbrock/

http://www.sobrevinhoseafins.com.br/2016/02/cantina-alema.html

https://www.whatstheweatherlike.org/germany/mosel.htm#:


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quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

PETERLONGO, O ÚNICO CHAMPAGNE QUE NÃO É FRANCÊS

Nesse final de ano, buscando por um espumante para celebrar a entrada de 2024, me lembrei que tinhana minha adega uma garrafa de Champagne Peterlongo Elegance, que prontamente tratei de resgatar, ára não ser preterida por outro tipo de espumante. 

Elaborado 100% com uvas Chardonnay, oriundas de vinhedos da Serra Gaúcha e Serra do Sudeste-RS, é um blanc de blancs fermentado parcialmente em barricas de carvalho francês e maturado por 36 meses nas caves subterrâneas da Peterlongo. A temperatura de serviço é de 4 a 6 °C. Apresenta um visual rico, de coloração amarelo palha, com reflexos dourados e fascinante perlage. Seus aromas intensos de pão torrado, manteiga, apresentam boa complexidade e evolução derivados de longo tempo em autólise. O paladar balanceado, tem boa cremosidade e retrogosto amplo e intenso.

Esse champagne conta a história do imigrante italiano Manoel Peterlongo, que chegou ao Brasil em 1899 e que, em 1913, elaborou o primeiro espumante do Brasil.

Mas antes de contar a história do Champagne Peterlongo, vamos relembrar um pouco da história do Champagne, cujo um dos grandes apreciadores era Napoleão Bonaparte, e que provavelmente é um dos mais desejados sonhos de consumo de qualquer bebedor  de vinho e uma as bebidas de luxo mais apreciadas. 

Tenho certeza, que sem nenhum constrangimento, qualquer apreciador de vinho pelo menos em alguma ocasião considerada especial, gastou uma boa quantia apenas para ter o prazer de beber um verdadeiro Champagne. E, nessa ocasião poder repetir a icônica frase de Dom Perignon, o monge beneditino francês considerado pai dos champagnes

                              “Venham rápido irmãos, estou bebendo estrelas!”,

quando degustou pela primeira vez o líquido pálido, doce e gasoso saído dos tanques da Abadia de São Pedro na Vila de Hautvillers, França, no século 17. 

Nascia assim uma das bebidas comemorativas mais icônica  de todos os tempos, que por definição é um tipo de vinho espumante com concentração de gás carbônico e teor alcoólico de 10% a 13%, passando duas vezes, pelo processo de fermentação dentro da garrafa, conhecido como método tradicional ou método Champenoise.  

Dom Perginon, apesar de não haver inventado esse líquido precioso, deu importantes contribuições para a sua produção e qualidade, sendo criador do método cuvée (refere-se ao suco extraído da primeira prensagem da uva). Ele teria aprimorado a técnica de inserir borbulhas no vinho,  ao descobrir que se o líquido passasse por uma segunda fermentação em garrafa, a bebida preservaria e efervescência e entregaria aquela sensação de "mousse" cremosa na boca. 

Os espumantes são produzidos na região de Champagne  desde o período romano, mas for apena no final do século XVII, quando ocorrem o domínio da elaboração dos vinhos espumantes que eles adquiriram um renome internacional. 


O direito de utilizar o nome Champagne nos vinhos

Em 1844 seus produtores se organizaram para defender esse nome que se constitui seu patrimônio comum, dando início a um processo judicial junto ao Tribunal Correcional de Tours, pra obter o direito de que "só podem fazer referência ao nome Champagne os vinhos produzidos na região de Champagne", o que foi confirmado pelo tribunal de Recursos de Tour, em 1845. 

Várias decisões posteriores confirmaram esta primeira jurisprudência até a decisão da Corte de Cassação, em 26 de julho de 1889, que estabeleceu o princípio segundo o qual "só é Champagne se for de Champagne".


O Champagne Peterlongo 

Agora que já sabemos como essa bebida maravilhosa surgiu e quais suas regras no país de origem, vamos voltar ao Champagne Peterlongo Elegance, o primeiro e único do Brasil.

Em 1875 o imigrante italiano Manoel Peterlongo Filho, agrimensor de profissão, chegou a colônia Conde d'Eu. Ele era apaixonado por vinhos já que nasceu em uma família de produtores da bebida. Devido a sua profissão ele ajudou na demarcação das terras da colônia, emancipada em 1900, tornando-se o atual município de Garibaldi, cujo nome homenageia o herói farroupilha Giuseppe Garibaldi. 

Ele era apaixonado pela elaboração de espumantes que aprendeu em sua terra natal e mais tarde tratou de repetir esses processos aqui no Brasil. Em 1913 Peterlongo começou a produzir a bebida, seguindo a metodologia definida por Don Perignon (método champenoise). 

Como a produção de vinhos e espumantes começou a crescer na cidade de Garibaldi, os moradores organizaram a 1ª Exposição de Uvas de Garibaldi, em 1913, onde um dos produtos feitos por Manoel Peterlongo, o "moscato Typo Champagne", recebeu a Medalha de Ouro, sendo considerado o primeiro registro da bebida elaborada no Brasil. Em 1915, devido ao sucesso, foi fundado oficialmente o Estabelecimento Vinícola Armando Peterlongo S/A, nome dado em homenagem ao seu único filho homem. 

Armando, nascido em 1899, era farmacêutico de formação e exerceu essa profissão até 1921, quando seu pai chamou-o para auxilia-lo nos trabalhos da vinícola, uma vez que os negócios da família prosperavam. Ele herdou do pai o desejo de elaborar a "bebida dos deuses", como se referia ao champagne e de valorizar a mão de obra feminina. 

Em 1924, com o falecimento de seu pai, Armando Peterlongo assumiu a vinícola estando a frente dela por mais de 10 anos contínuos, falecendo em 1966. Nesse período ele foi o motor de um dos maiores sucessos da história vitivinícola brasileira, quando ocorreu o período áureo da Vinícola Peterlongo e a consolidação do Champagne Peterlongo. Este era consumido nos grande eventos nacionais, era o preferido de Getúlio Vargas e chegou a ser vendido nos Estados Unidos na década de 1940. 


O castelo da Vinícola Peterlongo

O castelo da família Peterlongo, construído em 1930, segue os padrões da região de Champagne (França), tendo uma cave subterrânea com estrutura em pedras basálticas, que mantém a temperatura constante de 12 a 14 °C, podendo ser vista por todos os que visitam a Vinícola Peterlongo. 

Na época da construção da cave, ela foi  projetada visando replicar o ambiente ideal para a preservação dos champagnes. Assim, possui um túnel que capta o vento minuano (vento frio de origem polar, de origem Sudoeste, típico do Rio Grande do Sul, nos meses de outono e inverno), que mantém a  temperatura estável no seu ambiente. 


Mas como o Champagne Peterlongo pode levar esse nome fora da França? 

É simples, nas primeira metade do século XX algumas vinícolas da França questionaram a utilização do termo champagne nos rótulos da empresa. Porém, em 1974 o Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil julgou este questionamento improcedente e a Peterlongo ganhou o direito da denominação, que fora absorvida desde o início da elaboração da bebida por Manoel Peterlongo. Para tal foram considerados os seguintes aspectos: 
  • A empresa já produzia espumantes pelo método tradicional antes mesmo da região francesa do Champagne conquistar sua denominação de  Origem (D.O.). Este sistema foi criado na França apenas em 1935 e o Comité Champagne em 1941; 

  • Além do histórico de elaboração do Champagne pelo método tradicional (champenoise), o tribunal levou em conta para a decisão o fato de a vinícola ter sido a primeira a plantar uvas viníferas brancas no Brasil, além de importar leveduras de alta qualidade da França; 

  • Luiz Stella, sócio-diretor da vinícola argumenta que "Nós optamos por manter o termo em uso. E fizemo-lo porque ele é parte fundamental da composição da marca Peterlongo. No Brasil e no mundo o nosso champagne é um espumante do Brasil, elaborado pelo método tradicional da melhor qualidade. Porém, ser Peterlongo, é ser  champagne. Isso faz parte da memória cultura e produtiva da vitivinicultura brasileira";

  • Atualmente, a empresa mantém o termo champagne nos rótulos da marca Elegance, a linha superior de espumantes, enquanto as restante adotam o termo espumante. 

Como fui convidada para esperar a chegada de 2024 juntamente com meu primo e sua família, peguei o meu Champagne Peterlongo Elegance e lá me fui brindar a chegada de um ano novo. 

E foi assim, em um jantar familiar, rodeada de pessoas queridas, em  uma bela noite de verão do Sul do país, vendo fogos de artifícios que brindamos a chegada de 2024 degustando este belíssimo champagne.  

Fontes:

https://winefun.com.br/champagne-ou-espumante-entenda-as-diferencas-e-as-excecoes-a-regra/#:~:text=Emumadecisaode1974,termoChampagneemseusrotulos.

https://loja.peterlongo.com.br/peterlongo-champagne-elegance-nature

https://www.vidarural.pt/producao/conheca-a-unica-vinicola-brasileira-que-pode-usar-a-denominacao-champagne/

https://veja.abril.com.br/economia/a-unica-vinicola-brasileira-que-pode-colocar-champanhe-no-rotulo

https://portalefood.com.br/noticias/batalha-do-champanhe-brasil-foi-barrado-com-a-nova-lei-de-rotulagem-da-russia/

 

Feliz 2024!!!!!!

Se beber, não dirija!

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sábado, 9 de dezembro de 2023

VINÍCOLA GEISSE, EM PINTO BANDEIRA, RS, IMPLANTOU UM SISTEMA CONHECIDO COMO "CANHÃO ANTIGRANIZO"”

 

A vinícola Familia Geisse (https://www.familiageisse.com.br/index) localizada no município de Pinto Bandeira, Serra Gaúcha, implantou um sistema antigranizo, que protege as videiras e busca evitar perdas nas safras de uvas.

De acordo com o empresário Daniel Geisse, dono da primeira vinícola a utilizar o equipamento no estado, o recurso consiste em um canhão capaz de destruir pedras de granizo com emissão de ondas de choque. Esta tecnologia foi desenvolvida por uma companhia espanhola e trazida no ano passado para o Brasil.

O sistema é muito "utilizado na Europa e tem 100% de eficiência", como explica Geisse, que o implantou na região serrana, a fim de identificar a proximidade de nuvens com formação de granizo e proteger os vinhedos.


As precipitações de granizo, tem causado elevados estragos em áreas de culturas agrícolas em geral em diversas áreas do país. As uvas são bastante sensíveis ao granizo que causam grandes estragos nos bagos levando muitas vezes a perda de uma safra inteira. Para combate-lo entre outras técnicas, foi desenvolvido um canhão antigranizo, cujo ruído, quando acionado, é altíssimo parecendo um trovão.

Porém, apesar do incômodo, o canhão antigranizo é um dispositivo projetado para prevenir a formação de granizo e proteger as culturas agrícolas, por meio de disparos hipersônicos que geram ondas de choque na tentativa de desintegrar as pedras de granizo antes que elas atinjam o solo, transformando-as em chuva.

Este equipamento é empregado para prevenir ou reduzir os danos mortais do granizo às plantações. Ele remonta a um professor italiano de mineralogia, que em 1880 levantou a ideia de prevenir a formação de tempestades de granizo injetando partículas de fumaça nas tempestades por meio de canhões.

Os canhões antigranizo são geradores de ondas usados para deter a formação de granizo na atmosfera, quando a tempestade ainda está se desenvolvendo. É crucial que o canhão esteja ativo quando a tempestade se próxima para impedir que o núcleo do granizo se solidifique.

A área protegida por um único canhão tem aproximadamente 500 metros de raio, cerca de 80 hectares, diminuindo sua eficácia quanto maior seja a distância. Os canhões antigranizo são usados como um método de controle de desastres

Esta é a primeira vez que  o equipamento é utilizado no Rio Grande do Sul. Ele é parte de um sistema mais amplo que inclui o monitoramento por satélite para identificar nuvens com potencial para formar granizo.

Esta tecnologia é composta, principalmente, por um canhão e um sistema de monitoramento de massas de ar por meio de imagens de satélites meteorológicos, que melhoram a eficácia e facilitam seu uso em áreas onde as tempestades são mais frequentes.  Ao identificar a existência de nuvens carregadas e com granizo, efetua os disparos de ondas sonoras hipersônicas, com potência de 15 mil joules, atingindo a estratosfera (a segunda camada mais próxima da Terra, onde está a camada de ozônio) e criando, assim, a proteção.

O sistema funciona de forma rápida, o tempo estimado para ser formada a camada de proteção é de até 15 minutos. Nesse recorte de tempo, explica Pasini, "a cada sete segundos são realizados disparos".

Com o sistema protetivo, o granizo passa pelas ondas de choque, começa a se fragmentar em grãos e reduz de tamanho. Assim, as pedras de gelo passam do estado sólido para o líquido e chegam em formato de chuva no solo.

Veja o vídeo da reportagem sobre o assunto feito pelo Jornal do Almoço da RBS TV, no dia 06 de dezembro de 2023

https://globoplay.globo.com/v/12173704/?s=0s

Granizo é um tipo de precipitação atmosférica da água em seu estado sólido (na forma de pedras gelo), que se forma no interior das nuvens altas de tempestade, chamadas cumulonimbus, pela ação das correntes de ar e das baixíssimas temperaturas. O granizo tem diâmetro superior a 0,5 centímetro e formato variável, em alguns casos eles podem chegar a ter o tamanho de bolas de tênis. As precipitações de granizo podem trazer inúmeros prejuízos materiais, como a destruição de lavouras e até mesmo ocasionar ferimentos em pessoas e animais em locais desprotegidos.

Texto elaborado por Sausen, T.M., 09/12/2023 a partir de múltiplas fontes

Fontes:

https://www.comprerural.com/canhao-antigranizo-esta-salvando-lavouras-video/

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terça-feira, 7 de novembro de 2023

Avaliação Nacional de Vinhos - Safra 2023 e os aspectos geográficos das amostras

No último dia 04 de novembro de 2023, tive a grata satisfação de participar mais uma vez de uma avaliação nacional de vinhos brasileiros, foi a 31ª Avaliação Nacional de Vinhos – Safra 2023, em Bento Gonçalves, RS. 

Para essa avaliação, como ocorre todos os anos, a Associação Brasileira de Winemakers-ABW, reuniu um grupo de associados para participar do evento, entre eles eu. 
Este evento, único no mundo, reúne as mais diferentes pessoas envolvidas no mundo do vinho, entre elas  enólogos, donos de vinícolas, professores de cursos de vinhos, apreciadores de vinhos de diferentes profissões, estilos e idades. 

Realizado no Parque de Eventos de Bento Gonçalves, contou com a participação de mais de 1.650 apreciadores de todos os estados do país, sendo que em torno de 600 de forma presencial e o restante de forma on-line por meio de transmissão do canal  Youtube da ABE.

Das 503 amostras inscritas por 74 vinícolas de sete estados brasileiros - Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo -, além do Distrito Federal, 157 foram reveladas representando os 30% de melhor pontuação. Foram selecionadas 16 amostras para representar as diferentes categorias a serem degustadas pelo público.

Para os participantes de forma on-line foi enviado um kit com as 16 amostras de vinho, sendo que o kit que viajou mais longe foi enviado para Boa Vista (RR), que dista 5.154 km, de Bento Gonçalves. Já o participante presencial que percorreu  a maior distância para chegar ao evento, veio de Fortaleza (CE), num total de  4.089 km, o que demonstra que o vinho brasileiro é apreciado em todos os rincões dos 8.510.417,771 km do território nacional.

Todos os participantes degustam ao mesmo tempo a mesma amostra, aguardando as considerações feitas por um dos 16 comentaristas convidados. Nesta edição, este grupo foi formado por enólogos, sommeliers, jornalistas, empreendedores, especialistas e influenciadores de vinho do Brasil, Chile, Espanha, França e Itália. A experiência da degustação segue o mesmo ritual há 31 anos, e desde 2020 passou a acontecer também no on-line. 

Das 16 amostras mais representativas, 15 eram de vinícolas gaúchas das cidades de Alto Feliz, Bento Gonçalves, Farroupilha, Flores da Cunha, Garibaldi, Pinto Bandeira (região da Serra Gaúcha) e de Sant'Ana do Livramento (Campanha Gaúcha), ou seja, de área de vitivinicultura tradicional, com colheita no verão e, uma era de Brasília (DF-Planalto Central), onde é realizada a dupla poda, mostrando assim, que a produção de vinhos avança em novas regiões produtoras de qualidade. Essa foi a primeira vez na história desse evento que os especialistas escolheram um vinho de dupla poda como destaque. 


Os mapas que seguem dão ao leitor uma visão geral das regiões de origem das 16 amostras degustadas   na Avaliação Nacional, eles apresentam aspectos climáticos, de altitude e de  relevo, que influenciam na vitivinicultura da região de origem das amostras avaliadas e, consequentemente nas caraterísticas e qualidade dos vinhos. 
 

A Avaliação Nacional de Vinhos é realizada desde 1993 pela ABE, esta ano foi realizada a 31ª edição e, apesar de seguir um regulamento formal e contar com avaliadores nacionais e internacionais, não é um concurso. De caráter educativo tempo por finalidade promover o vinho brasileiro e divulgar práticas da degustação e apreciação dos vinhos, sendo o único deste gênero no mundo. O resultado do trabalho dos enólogos, em cada ano, pode ser apreciado e comparado entre as safras pelos participantes do evento. 
 

Maiores informações sobre este evento e os resultados das avaliações podem se acessados no site da Associação Brasileira de Enologia-ABE, https://www.enologia.org.br/avaliacao-nacional-de-vinhos/

Fonte: Compilação de múltiplas fontes

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terça-feira, 10 de outubro de 2023

GEOGRAFIA DO VINHO - EL NIÑO E LA NIÑA (ENOS) E O VINHO


O El Niño (o menino) La Niña (a menina) são anomalias climáticas provocadas por variações de temperatura das águas do Oceano Pacífico e que podem afetar a temperatura e  clima não panas do Brasil, mas também de várias partes do mundo.

O El Niño, tem essa denominação devido ao fato de que no século passado pescadores do Porto de Paita, no Peru, perceberam que as águas frias da Corrente Peruana (que flui para o Norte), tinham temperaturas mais altas que o normal, próximo ao Natal. Como consequência, eles observaram baixas capturas, já que os cardumes mudavam sua rota em direção ao Sul, devido a uma corrente quente procedente do Golfo de Guayaquil, Equador. 

A esse fenômeno eles deram o nome de Corrente do El Niño, em referencia ao menino Jesus uma vez que ele foi observado, por primeira vez, próximo a data do Natal. Ele altera temporariamente a distribuição de umidade e calor no planeta, principalmente na zona tropical. 

Ele ocorre em intervalos de tempo que variam entre três e sete anos, persiste em média de 6 a 15 meses. 

La Niña é um fenômeno natural que, oposto ao El Niño, consiste na diminuição da temperatura da superfície das águas do Oceano Pacífico, na altura do Peru. Tal como o El Niño,  sua ocorrência gera uma série de mudanças significativas nos padrões de precipitação e temperatura ao redor da Terra. Ele ocorre a cada dois ou sete anos e tem duração de nove a 12 meses.

Uma das razões destes dois fenômenos ocuparem os noticiários com tanta frequência vem dos efeitos - positivos e negativos - que eles podem causar na produção agrícola, entre elas a vitivinicultura.  

A ocorrência deles interfere de forma decisiva na presença  de maior ou menor pluviosidade, em todo o território nacional, uma vez que alteram temporariamente a distribuição de umidade e calor no planeta, principalmente na zona tropical e subtropical. 

Eles interferem no clima afetando as chuvas e as temperaturas ao redor do mundo. Porém, aqui no Brasil a variação no volume das chuvas depende de cada região e da intensidade do fenômeno.


Vale lembrar que atualmente temos áreas de vitivinicultura em pelo menos onze estados, de Sul a Norte. Porém, é na região Sul que as uvas se veem mais afetadas por esses fenômenos, porque ambos ocorrem de forma mais acentuada nos períodos de brotação, formação dos bagos e colheita e estão,  gradativamente,  sendo acentuados nas ultimas décadas. 

Em geral, o El Niño é mais frequente do que  La Niña, os últimos eventos ocorreram nos anos de 2015-2016  e 2018-2019 com forte intensidade. Mas no mundo vitivinícola o que ficou marcado e foi comemorado de Norte a Sul, foram os últimos três anos desta década quando ocorreram três eventos de La Niña, seguidos, 2020-2023. Neste período a La Niña  atuou fortemente nos estados do Sul do Brasil, com eventos de estiagem, favorecendo a vitivinicultura com safras emblemáticas. 

O quadro que segue apresenta a situação das regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, para a  vitivinicultura nos períodos de ocorrência dos eventos de El Niño e La Níña. 
O quadro que segue apresenta a situação da região Sul, para a  vitivinicultura nos períodos de ocorrência dos eventos de El Niño e La NIña. 

Bibliografia de apoio:

  • https://brasilescola.uol.com.br/geografia/el-nino.htm
  •  https://brasilescola.uol.com.br/geografia/la-nina.htm
  • https://www.folhape.com.br/noticias/chance-de-el-nino-forte-e-de-56-diz-agencia-dos-estados-unidos/274767/
  • https://www.wine.com.br/winepedia/curiosidades/el-nino-no-muno-do-vinho
  • https://www.terra.com.br/noticias/climatempo/verao-2021-com-la-nina-fake-e-surpresa-com-aguas-de-marco,79b550f0e7eb026ad4487fcbfa635fe9sslryh86.html

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