quarta-feira, 29 de maio de 2024

GEOGRAFIA DO VINHO - O VINHO E OS DESASTRES NATURAIS OCORRIDOS NO RIO GRANDO DO SUL

Creio que alguns de vocês sabem que além de sommelière e grande apreciadora de vinhos, sou graduada  e doutora em Geografia e, sou gaúcha. Quem acompanha as minhas publicações já deve ter se acostumado com o toque geográfico que gosto de abordar o mundo do vinho. Sabe também que sou autora do livro Geografia do Vinho: As grandes regiões vitivinícolas brasileiras, publicado pela Editora Idesf e escrito em parceria com dois colegas, o Dr. Marco Antonio Fontoura Hansen-UNIPAMPA e o Físico e Winemaker Antônio Pedro Coco-ABW. 

Por alguns anos coordenei  um grupo de pesquisas sobre desastres naturais-GEODESASTRES-SUL/INPE e participei de várias atividades nacionais e internacionais da UN-SPIDER, grupo das Nações Unidas que trata do tema. 

Região do interior  de Bento Gonçalves, RS, foi atingida por deslizamentos de terra. A previsão de chuva acende o alerta para risco de novos episódios. Neimar De Cesero / Agencia RBShttps://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/geral/noticia/2024/05/prefeitura-de-bento-goncalves-estima-que-150-pessoas-devam-deixar-faria-lemos-e-tuiuty-clvy48u1r003a01am3yt3iib5.html

Nesse momento em que o Rio Grande do Sul, o maior estado produtor de vinhos no país, está passando por eventos desastrosos que afetam profundamente a sua economia e a vida de toda sua população, eu não poderia deixar de escrever um artigo, do ponto de vista geográfico, sobre os eventos severos que afetaram todo o estado neste mês de maio e suas consequências nos municípios vitivinícolas 

Como amplamente divulgado na imprensa nacional e internacional e vivenciado de forma dramática pelo povo gaúcho, o Rio Grande do Sul foi assolado por chuvas pesadas e constantes que afetaram 464 (93%) municípios dos 497 existentes no estado. 

Nunca antes - nem mesmo na inundação ocorrida em1941, que até o momento era o marco mas excepcional de inundações no estado e na capital gaúcha - o Rio Grande do Sul  foi assolado por uma tragédia sem precedentes que teve seu início no final de abril, e que até o momento seus efeitos ainda são sentidos de  forma tão dramática. 

A combinação de imagens dos satélites Amazonia-1 e CBERS-4, do INPE, que segue,  dá uma ideia da área atingida pelos desastres em toda bacia hidrográfica do Guaíba e de seus respectivos afluentes, onde está salientada a bacia do Taquari-Antas, onde se localiza região vitivinícola da Serra Gaúcha.


Vocês devem estar se perguntando "a região vitivinícola da Serra Gaúcha atingida pelos desastres conforme amplamente divulgado nos últimos dias, pelos meios de comunicação, pode ser visitada e ainda por cima degustarmos bons vinhos?" 

A resposta é sim, os vinhedos e as vinícolas não foram atingidos (com exceção de duas) e os consumidores podem visitá-las e comprar os seus vinhos, que também não foram atingidos. A safra de 2024 está garantida. Essa informação é verdadeira. 

Para sorte dos produtores de vinho e de  nós consumidores, agora, no momento em que ocorreram os desastres no Rio Grande do Sul, as videiras já perderam as folhas e estão se encaminhando para o seu período de dormência. A colheita aqui no estado em geral é finalizada na segunda quinzena de março o que significa que quando as chuvas começaram, na ultima semana de abril, toda a safra já estava colhida e as uvas processadas. 

Mas isso não significa que os municípios vitivinícolas não estejam enfrentando dificuldades, ao contrário, principalmente os da Serra Gaúcha, em especial Bento Gonçalves, onde ocorreram vários deslizamentos, muitas estradas seguem interditadas ou com restrições de acesso. Isso seguramente, deverá impactar,  por um tempo, o enoturismo na região e o transporte dos vinhos até o consumidor final.  

Nessa carta imagem, cada ponto na cor amarela é uma área de deslizamento. Esse meandro do rio das Antas que aparece na carta imagem, é bastante conhecido por todos que visitam Bento Gonçalves. 

O Núcleo de Risco Geológico de Bento Gonçalves, que realiza o detalhamento das áreas afetadas, registrou 84 bloqueios em estradas do município, entre elas tem-se as nacionais, estaduais e municipais. 

As áreas de serra são as mais propicias para deslizamentos, principalmente em períodos de chuva excessiva e, muitos vinhedos do estado estão localizados em regiões  de serra. A Emater-RS estima que pelo menos 500 hectares de vinhedos foram danificados, do total de 44 mil existentes no Rio Grande do Sul, sendo que 2% deles estariam comprometidos. Este total ainda pode crescer, conforme os técnicos forem acessando as propriedades. 

O mapa que segue mostra os municípios afetados em vermelho, são os que decretaram Estado de Calamidade Pública ou Situação de Emergência. Do total de 464 afetados, 78 decretaram Estado de Calamidade Publica e destes, 14 são municípios vitivinícolas, sendo que a maioria deles estão localizado na região da Serra Gaúcha. Os municípios apontados no mapa são produtores de vinho.  

 


De acordo com a Defesa Civil, o Estado de Calamidade Pública, é o reconhecimento legal pelo poder público de situação anormal, provocada por desastres, causando sérios danos à comunidade afetada, inclusive a incolumidade (isenção de perigo, de dano; segurança) ou à vida de seus integrantes.  Essa medida é tomada quando ocorrem situações emergenciais que fogem à normalidade e demandam investimentos de recursos extraordinários. 

Como exemplo tem-se Bento Gonçalves, onde ocorreram 150  deslizamentos e 84 bloqueios de estradas. Os deslizamentos destruíram casas,  lavouras e os bloqueios de estrada  dificultam alguns acessos, o que poderá afetar o enoturismo na região (https://globoplay.globo.com/v/12631940/). Esta atividade é importante para as vinícolas, uma vez que ao redor de 50% de suas vendas é fruto das visitas dos consumidores as suas instalações, ou seja, do enoturismo. Mas os órgãos encarregados da manutenção de estradas estão atuando fortemente para restabelecer todos os acessos na região, principalmente porque ela é um importante polo industrial do estado que exporta vários produtos, não apenas vinho,  para vários países. 

O mapa que segue mostra a localização de alguns dos 69 municípios vitivinícolas, dentre os 385 que  decretaram  Situação de Emergência, em todo o estado. 
De acordo com a Defesa Civil, Situação de Emergência, é o reconhecimento legal pelo poder público de situação anormal, provocada por desastres, causando danos superáveis (suportáveis) pela comunidade afetada. O comprometimento é parcial,  a crise é menos grave e ainda não afetou a população. Assim, os esforços de recuperação deste municípios vitivinícolas do Rio Grande do Sul, não demandarão tantos esforços como os que foram afetados na Serra Gaúcha  e estão em Estado de Calamidade Pública. Sendo assim, todos os municípios vitivinícolas que se encontram nessa situação, continuam com suas atividades normalmente, em todo o estado. 

No recorte da região vitivinícola da Serra Gaucha, que eu fiz utilizando dados do topographic-map.com em preto estão identificados os municípios que decretaram estado de Calamidade Publica e em azul os que decretaram Situação de Emergência. 


Ironicamente, no momento é mais fácil para um amante do vinho que mora em outro estado do Brasil chegar a Bento Gonçalves, para tomar o seu vinho tranquilamente, do que eu que moro em Porto Alegre. Com as inundações a cidade ficou isolada por alguns dias, pois todos os acessos de saída ou entrada estavam cobertos por água. Na última semana foram criados dois corredores emergenciais que nos permitem sair-entrar na cidade e ontem foi criado mais um que dá acesso a Freeway.  

Já as pessoas de outros estados que se dirigem para Bento Gonçalves, por avião, tem a sua disposição o aeroporto de Caxias do Sul, que fica a poucos quilômetros de distância. O aeroporto de Porto Alegre, o maior do estado, continuada inundado. O acesso por rodovia, pelo norte do estado, também está mais facilitado,  do que de Porto Alegre para Bento Gonçalves. É essa rota, pelo norte do estado, fronteira com Santa Catariana,  que é utilizada por caminhos com doações vindas de todos os cantos do país.  

Nada é mais importante em um momento como esse, onde muitos perderam praticamente tudo o que tinham, do que contar com o apoio de bons amigos. Um exemplo  disso, foi o apoio recebido pelo proprietário da Valparaiso Vinhos e Vinhedo, localizada no município de  Barão, na Serra Gaúcha. 

Arnaldo Antônio Argenta teve parte de sua vinícola destruída pelas chuvas. Apesar disso, ele e sua filha Naiana Argenta, seguem acreditando na vinícola, sem perder a essência do que fazem. Porém, Lucas Foppa, sócio-propietário da Vinícola Tenuta Foppa e Ambrosi de Garibaldi e Felipe Bebber, enólogo da Vinícola Familia Bebber, que já havia passado por situação semelhante em novembro de 2023, ao saberem do ocorrido mobilizaram suas equipes para auxiliar na limpeza pesada para que a Valparaiso pudesse começar a se reerguer. 


Uma coisa é certa, apesar de todas as dificuldades pelas quais o Rio Grande do Sul está passando nesse momento, das várias tragédias ocorridas, os amantes do vinho não precisam ficar temerosos de que esse precioso líquido possa faltar. Ele está lá nas vinícolas esperando por nós.

Talvez, por problemas de logística causados pelo atual estado precário de algumas estradas ou pela limitação de voos para o Rio Grande do Sul por causa dos danos causados ao nosso principal aeroporto, o vinho possa demorar um pouquinho mais para chegar as suas mãos. Mas acreditem, ele chegará e não faltará. 

Assim, continuem comprando e bebendo vinho gaúcho, a safra de 2024 está esperando por vocês!


Se beber, não dirija!

Fontes: 
https://bentogoncalves.atende.net/cidadao/noticia/nucleo-de-riscos-geologicos-84-bloqueios-em-estradas-do-municipio-foram-registrados
https://disasterscharter.org/
https://pt-br.topographic-map.com/

https://www.canalrural.com.br/agricultura/vinhedos-sao-devastados-por-enchente-no-rs-e-setor-luta-pela-recuperacao/







sábado, 27 de abril de 2024

GEOGRAFIA DO VINHO - MUDANÇAS CLIMÁTICAS: COMO ELAS ESTÃO AFETANDO A VITIVINICULTURA NOS QUATRO CANTOS DO MUNDO

 

Mudança climática se refere as transformações de longo prazo nos padrões de temperatura e clima. Essas alterações podem ser naturais, porém, desde o século 18 as atividades humanas têm sido sua principal causa, notadamente devido a queima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás), que produzem gases que retêm o calor.

A queima desses combustíveis gera emissões de gases de efeito estufa que agem como um grande cobertor em torno da Terra, retendo o calor do sol e aumentando as temperaturas, como demonstrado na figura que segue.


Pequenas mudanças na temperatura média global podem causar mudanças importantes e perigosas no tempo e no clima. Se ela acontecerem regularmente por meses em uma dada região que depende de um ciclo natural de acumulação de neve no inverno e de precipitação na primavera, ou, ocorrerem em áreas tradicionais de vitivinicultura que dependem do ciclo natural das quatro estações para o bom desenvolvimento dos vinhedos, isso pode promover uma grande mudança na dinâmica do lugar, alterando a vida cotidiana e até mesmo as fontes de renda das pessoas, como por exemplo a produção de uvas para vinho. 

Compreender a influência das mudanças climáticas no potencial de produção de vinhos é uma grande preocupação científica. Pelo menos uma centena de trabalhos científicos e reportagens sobre o tema já foram publicados, mostrando os efeitos importantes  na vitivinicultura e no nosso vinho de cada dia.  

A história mostra que as estreitas zonas climáticas (30° a 50° N e S) para o cultivo de uvas para vinho são especialmente propensas as variações do clima e as mudanças climáticas de longo prazo. As uvas viníferas são sensíveis às condições climáticas, como temperatura, excesso de chuva e seca extrema. 

Em geral os efeitos das mudanças climáticas tem chamado mais atenção em vinhedos localizados em países do hemisfério Norte que, por ter maior quantidade de terras emersas  do que o hemisfério Sul  e, de regiões vitivinícolas  localizadas principalmente em  áreas  com maior continentalidade (salientadas no mapa que segue), já sofrem de maneira mais acentuada os efeitos dessas mudanças. 


 

Mas, tais efeitos já são visíveis em todo o mundo, mesmo aqui no Brasil e nas regiões vitivinícolas da América do Sul, África, Austrália e Nova Zelândia, onde as áreas emersas são menores. Eles afetam no rendimento dos vinhedos, na composição das uvas e na qualidade dos vinhos, com consequências já e a serem observadas em breve na geografia da produção do vinho. 

O tipo de clima de uma região influencia decisivamente no tipo de uva e de vinho que irá produzir. As alterações climáticas podem criar mudanças dramáticas nos locais de produção do vinho, como por exemplo tornando os vinhedos insustentáveis em algumas regiões, mas abrindo novas oportunidades em outras. Um exemplo disso é o que se observa no Sul da Inglaterra, país com pouca tradição de vitivinicultura, mas que atualmente, vem sendo uma nova opção de terroir para a produção de espumantes.

Porém, essa adaptação as novas regiões vitivinícolas não significa, necessariamente,  que nelas poderão ser  produzidas as mesmas variedades de uvas,  para vinhos ou espumantes,  que tradicionalmente são produzidas na França, Itália e California,  por exemplo. 

As atuais e mais tradicionais regiões vitivinícolas estão localizadas principalmente em latitudes médias (30° a 50° N  e S), tais como a Califórnia nos Estados Unidos, Sul da França; Norte da Espanha e Itália; Vale do Barossa na Austrália; Stellenboch na África do Sul; Mendoza na Argentina; Vale Central no Chile; Campanha Gaucha e Serra do Sudeste no  Brasil. Nelas é onde o clima é quente o suficiente para permitir o amadurecimento das uvas, sem calor excessivo e relativamente seco para evitar forte pressão de doenças. 

Em março deste ano, pesquisadores da Université de Bordeaux e Université de Bourgogne publicaram um artigo na renomada revista Nature Reviews Earth and Environment, com os resultados de um estudo cientifico  onde eles  analisaram as tendências futuras nas regiões vitivinícolas atuais e em desenvolvimento em todo o mundo para adaptar a produção de vinho às mudanças climáticas

Nesse estudo eles abordaram as consequências das alterações de temperatura, precipitação, umidade, radiação solar e CO2 na produção global de vinho, bem como exploraram estratégias de adaptação. Os pesquisadores  mapearam como  a distribuição global dos vinhedos provavelmente mudará, em função do aquecimento global. Como resultado,  concluíram que a geografia da produção do vinho  no mundo está mudando, conforme demonstrado no mapa que segue, elaborado pelos autores do artigo



Nessa figura a adequação atual nas regiões continentais é notada pelo sombreado verde dos hexágonos, desde menos adequado (verde claro) até mais adequado (verde mais escuro). A variação das cores em tons de rosa dos hexágonos, expressa o potencial de adequação das novas áreas vitivinícolas, com grande ênfase para os países mais ao norte da Europa. 

A mudança futura de adequação nessas regiões é notada pela cor dos pontos dentro dos hexágonos de acordo com a chave (níveis de adequação de mudanças): o ponto da esquerda representa a mudança para um cenário em que há aquecimento global de até 2 °C; o ponto da direita a mudança para um aquecimento de 2-4 °C; o tamanho do ponto (maior ou menor) representa a confiança da avaliação.

Os resultados do estudo, mostram que cerca de 90% das regiões vitivinícolas tradicionais costeiras e de baixas altitudes do sul da Europa (Espanha, Itália e Grécia) e Sul da Califórnia poderão já não ser capazes de produzir bons vinhos em condições economicamente sustentáveis ​​até o final do século, se o aquecimento global exceder +2°C. Devido as alterações climáticas, elas estariam sujeitas à seca excessiva e às ondas de calor  mais frequentes, o que já vem ocorrendo atualmente. 

Por outro lado, as temperaturas mais elevadas  poderiam aumentar a aptidão de outras regiões para a produção de vinhos de qualidade (legenda em azul no mapa), como por exemplo o Norte da França, os estados de Washington e Oregon nos Estados Unidos, a província  Colúmbia Britânica no Canadá e a Tasmânia na Austrália. Adicionalmente poderia impulsionar o surgimento de novas regiões vitivinícolas, como já vem ocorrendo no Sul da Inglaterra (50°N) ou de países localizados em  latitudes maiores ainda como  os Países Baixos (52° N), a Dinamarca (55° N) e a Suécia (59°N) onde já existem algumas áreas de vitivinicultura. 



O grau destas alterações na adequação das zonas vitivinícolas depende fortemente do nível de aumento da temperatura. Adicionalmente, os estudos  descobriram que o surgimento de novas doenças e pragas, e um aumento na frequência de eventos extremos (geadas, nevascas, temporais, secas extremas), também desafiarão os vitivinicultores.

Os produtores de vinho das regiões que já estão sendo afetadas pelas mudanças climáticas, podem adaptar-se a um determinado nível de aquecimento alterando, por exemplo,  o material vegetal como variedades de uva e porta enxertos, os sistemas de condução e a gestão das vinhas. Porém, tais adaptações podem não ser suficientes para manter a produção de vinho economicamente viável em todas elas. 

É importante para a vitivinicultura mundial, que estudos futuros tenham como objetivo avaliar o impacto econômico das estratégias de adaptação às alterações climáticas aplicadas em grande escala. 


Fontes: 

https://www.nature.com/articles/s43017-024-00521-5

https://www.beveragedaily.com/Article/2024/04/03/Climate-change

https://www.preventionweb.net/news/global-map-how-climate-change-changing-winegrowing-regions

https://www.cbsnews.com/news/wine-regions-threat-climate-change/
https://www.climaemcurso.com.br/blog/category/mudancas-climaticas-2/
https://brasil.un.org/pt-br/175180-o-que-são-mudanças-climáticas

Se beber, não dirija!

segunda-feira, 11 de março de 2024

VINHOS ESPUMANTES, JÁ É UMA TENDENCIA SEU CONSUMO EM QUALQUER MOMENTO E NÃO APENAS NAS CELEBRAÇÕES

Até bem pouco tempo, tradicionalmente o consumo de vinhos espumantes em todo o mundo estava atrelado a ocasiões festivas, principalmente as comemorações do Ano Novo e as festas de casamento. Nestas ocasiões o champagne era mais que a bebida preferida, era praticamente impossível celebra-las sem degustar este líquido tão desejado.


Porém, a expansão em nível internacional do Prosecco (espumante feito na Itália), bem como do francês, do espanhol e do restante dos vinhos espumantes de qualquer ponto do mundo, possibilitou o aparecimento de uma nova tendência, que é o consumo deste tipo de vinho em qualquer momento do ano e em lugares diferentes, independente das festividades de fim de ano, casamentos ou de qualquer outra data. 


Com isso, o espumante deixou de ser aquela bebida quase inacessível e consumida única e exclusivamente, em ocasiões muito, muito, muito especiais. Na última década se observa uma nova tendência, em todo o mundo e cada vez mais forte, de que qualquer momento do ano, não importa onde, é um bom momento para o consumo deste tipo de vinho.

Graças a Deus, porque eu sou uma fã incondicional de espumantes e, qualquer coisa, é um belo motivo para tomar essa bebida dos deuses.

Pode-se dizer que o consumo de espumantes se generalizou na última década e já é bastante habitual os apreciadores de vinho acudirem a vinotecas, restaurantes e bares e poder pedir uma taça de espumante. Aliás, já existem formatos de cálices que se pode fincar na areia e desfrutar de um belo espumante na beira da praia, como eu já vi mais de uma vez. 

Essa bebida maravilhosa recebe diferentes nomes de acordo com o seu país de origem e o método de fabricação. Assim, tem-se:

  • Asti (Itália) – elaborado com uva Moscato, por meio do método Asti — o processo de fermentação é suspenso por resfriamento assim que se chega a um determinado nível de álcool e açúcar. O mais conhecido é o tradicional Moscato D’Asti, aqui no Brasil conhecemos por Moscatel;
  • Champagne – elaborado pelo método tradicional (champenoise), com as variedades Pinot Noir, Pinot Meunier (tintas) e Chardonnay (branca) e produzido exclusivamente na região de Champagne (IG) na França;
  • Cremant e Mousseaux – produzidos em toda a França, com exceção da região de Champagne. Recebe o nome de Cremant quando elaborado pelo método tradicional (champenoise) e Mousseaux, quando pelo método Charmat, principalmente com as uvas, Chenin Blanc, Pinot Blanc, Ugni Blanc, Semillon e Cabernet Franc;
  • Cava (Espanha) - elaborado pelo método tradicional (champenoise), é produzido a partir de várias cepas, as mais tradicionais são as uvas nativas da região onde é elaborado, como Maccabeo, Parellada e Xarel-lo;
  • Prosecco (Itália) - originário do Vêneto, é elaborado com a uva Glera por meio do método Martinotti-Charmat. O Brasil produz bons exemplares de Prosecco;
  • Sekt (Alemanha) - famoso pelo seu aroma agradável e forte acidez, elaborado pelo método tradicional (champenoise), especialmente com uvas Riesling, Pinot Blanc (Weissgurgunder) e Pinot Grigio (Rülander).

A denominação Sparkling Wine, literalmente “vinho espumante” é utilizado nos países de língua inglesa para este tipo de vinho, no Brasil utilizamos a palavra Espumante, e em países de língua espanhola como Argentina e Chile, eles utilizam a palavra Espumoso.   

 Produção:

A Organização Internacional da Vinha e do Vinho – OIV, publicou em Abril de 2020 o Relatório OIV Focus - The Global Sparkling Wine Market, que tem como objetivo fornecer uma visão geral da evolução recente do mercado global de vinhos espumantes. Nele foi analisada a produção e o consumo deste vinho em nível mundial e nacional e estudada a dinâmica do comércio internacional. Para tal foram coletados dados em 82 países durante o período de 2002-2018 (https://www.oiv.int/public/medias/7291/oiv-sparkling-focus-2020.pdf).

Uma das motivações para o estudo é que nos últimos vinte anos, o mercado de vinhos espumantes expandiu-se a um ritmo acelerado em resposta à elevada procura global. Em 2018, a produção mundial atingiu pela primeira vez os 20 milhões de hectolitros, com um aumento global de +57% desde 2002, isto é, em média, +3% ao ano (OIV, 2022). 

A produção de espumantes é distribuída por todo o mundo. No entanto, a maior concentração de países produtores está dentro da União Europeia, com quatro países se destacando.


Fora da União Europeia, os Estados Unidos se destaca com 6% (1,3 mhl em 2018) do total da produção mundial. A maior parte da produção vem do Vale do Napa, na Califórnia, onde o volume de produção em 2018 correspondeu a 77% (1 mhl) do total nacional.

O mapa apresenta a distribuição, por países, da produção de vinho espumante por 1.000 hl, em 2018.


Embora a produção de vinhos espumantes permaneça concentrada nesses cinco países,  novos países produtores estão surgindo no cenário mundial nos últimos anos, entre eles o Brasil. Quatro registaram aumentos significativos na sua produção de vinho espumante durante o período 2008-2018.

Por ordem da taxa média de crescimento anual, tem-se: Reino Unido (+33%/ano), Portugal (+18%/ano), Brasil (+7%/ano) e Austrália (+3%/ano).  No Reino Unido os vinhos espumantes representam mais de 70% da produção total de vinho nacional.

Consumo:

A partir do início deste século (2000) o consumo mundial de vinhos espumantes aumentou significativamente. O gráfico que segue para o período de 2002 a 2018 apresenta este aumento de forma consistente, com uma taxa média anual de 3% com exceção dos anos de 2009-2010, quando a crise econômica global impactou negativamente nas vendas.

 

No consumo global de vinho em 2002, o de  espumantes foi de 5 % e em 2018 eles já representavam 8% do consumo total. Um dos fatores para esse sucesso global é a dessazonalização do consumo, isto é, já não está mais ligado às celebrações de fim de ano, casamento, formaturas, etc., aliado  a uma oferta mais diversificada  de marcas e preços bem mais acessíveis que no passado recente.

Como consequência o consumo de vinho espumante, nos dias de hoje, tende a ser mais regular. Ninguém mais espera por uma ocasião super especial para consumi-los, o que leva a uma maior proporção de consumidores,  de todas as faixas etárias e poder aquisitivo, com especial atenção as mulheres e jovens.  

Em 2018, 62% do consumo de vinho espumantes era representado por cinco países, conforme apresentado na tabela. 


A rápida expansão do mercado para vinho espumante no  Reino Unido, que registrou uma média de 7% ao ano, desde 2008, coloca-o em sexto lugar em termos de consumo  desde 2018, com 1,5 mhl.

O mapa apresenta o consumo de vinho espumantes, por países, em 2018 em 1.000 hl. 


A porcentagem dos seis maiores países consumidores diminui de 76% em 2008 para 70% em 2018. Ao mesmo tempo, parte do consumo representado por outro países, entre eles o Brasil, aumentou 1,7 milhões de hectolitros. Essa variação pode ser atribuída, em grande parte, ao aumento do consumo nos países emergentes.

Neste estudo da OIV, no item referente ao consumo de vinho espumante nos países emergentes, foram considerados apenas os países com volumes de consumo em 2018 iguais ou superiores a 100 khl e um crescimento médio anual igual ou superior a 3%, assim tem-se: México (+13%), Suécia (+11%), Canadá (+8%), Brasil (+8%), Japão (+5%), Austrália (5%), Suíça (4%) e Argentina (3%).

Brasil:

De acordo com a Ideal Consulting, empresa de inteligência de mercado referência no segmento, o espumante caiu no gosto dos brasileiros. Quando se compara seu consumo  nos anos de 2021 e 2022, o espumante nacional apresentou um crescimento de 2% nas vendas  em 2022 e os importados registraram um acréscimo de 28% se comparados a 2021.

O consumo de vinho espumante no Brasil tem se tornado cada vez mais popular. Mesmo ainda sendo tradicionalmente associado a celebrações e ocasiões especiais, observa-se uma tendência de desmisitificação dessa bebida, sendo consumida cada vez mais no dia a dia pelos apreciadores e em casas noturnas (Danilo Bianculli, Jornal de Uberaba, 2022).

Os dados referentes ao consumo apontam um crescimento rápido no país. Os números passaram de 25,9 milhões de litros em 2019 para 30,6 milhões em 2022, correspondendo a uma alta de 18,1%.

Durante o período da pandemia houve uma queda devido as restrições a eventos e celebrações, impostas pelos cuidados sanitários adotados pelos países. Mas, com a pandemia sobre controle e o consequente término das restrições, o consumo de vinho espumante passou a apresentar uma subida no consumo.

De acordo com a Embrapa/Uvibra (2022), os espumantes brasileiros alcançaram 30,3 milhões de litros comercializados no país entres os meses de janeiro e dezembro de 2021, correspondendo a um aumento de 40% a mais se comparado com o mesmo período de 2020. A exportação de espumantes brasileiros ultrapassou 930 mil litros em 2021, 21% a mais do que em 2020. E, nesse mesmo ano 85% dos espumantes comercializados no Brasil eram nacionais, mostrando que o produto nacional tem qualidade e caiu no gosto do consumidor brasileiro, sendo uma grande aposta dos produtores nacionais.

Segundo a Associação Brasileira de Enologia (ABE), em 2021, o Brasil recebeu o número recorde de 414 medalhas e, dessas, 303 foram para espumantes. Os prêmios vieram de 18 concursos realizados na Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Espanha, França, Grécia, Hungria, Inglaterra, Luxemburgo e Portugal.

A taça criada especialmente para degustar os espumantes brasileiros foi desenvolvida artesanalmente com a melhor tecnologia em cristaleira, sendo relançada em 2021 e patenteada em 2022. Com seu formato cônico e sua textura porosa ampliam a produção e a duração da perlage, resultando numa explosão de frescor, aromas e sabores. Ela foi criada a partir de uma parceria entre a Embrapa Uva e Vinho, a Associação Brasileira de Enologia (ABE) e a Strauss de Santa Catarina. Maiores informações em https://strauss.com.br/taca-oficial-do-espumante-brasileiro/.


O espumante brasileiro é produzido principalmente na Serra Gaúcha, estando entre os vinhos mais premiados do Brasil. Porém, na grande maioria das vinícolas brasileiras, distribuídas em onze estados e quatro regiões fisiográficas, é produzido uma grande variedade de vinho espumante. Mesmo sem figurar entre os grandes produtores mundiais em volume, o país reúne condições ideais para a produção de espumantes que, além da qualidade, chega ao mercado com preço competitivo.

Bibliografia:

https://www.vinhosdomundostore.com/post/crémant-um-champagne-mais-acessível

https://exame.com/casual/champagne-e-cremant-qual-a-diferenca-entre-os-dois-vinhos-espumantes/

https://www.oiv.int/the-boom-of-sparkling-wine-on-focus

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/10/29/vinhos-por-que-o-mercado-aposta-em-espumantes-e-brancos-para-reverter-consumo-em-queda.ghtml

 

https://www.nexojornal.com.br/grafico/2022/12/26/espumante-brasileiro-corresponde-a-855-do-mercado-nacional

https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/68396017/exportacao-de-espumantes-brasileiros-ultrapassa-930-mil-litros-em-2021

http://www.uvibra.com.br/noticias/04-04-2022-mercado-interno-vinhos-finos-espumantes-e-suco-comecam-2022-em-alta


Se beber, não dirija!

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

GEOGRAFIA DO VINHO - O VALE DO RIO MOSEL, ALEMANHA, E OS BELÍSSIMOS VINHOS RIESLING

 

Eu sou bisneta e neta de alemães que chegaram ao Brasil em meados do século 20 e, por essa razão, a culinária alemã sempre fez parte do cardápio em minha casa e aprendi a fazer vários pratos típicos. Porém, apesar de participar frequentemente de degustações de vinho encontrar uma que faça harmonização entre comida alemã e vinhos alemães, é uma verdadeira raridade, mesmo aqui no Sul do Brasil, onde a imigração alemã foi mais expressiva. 

E olha que a culinária alemã cai como uma luva com vários tipos de vinhos, e mais, não é verdade que alemão só toma cerveja. Viajei várias vezes para a Alemanha, principalmente a trabalho, e em 90% dos jantares e eventos para os quais fui convidada a bebida era vinho, principalmente os brancos maravilhosos.

Porém, como aqui no Brasil a imagem dos alemães está muito ligada a Oktoberfest, muitos poucos lembram dos vinhos alemães e quando lembram, harmonizam com comidas não alemãs. Até com comida asiática já encontrei em um site onde havia sugestões de harmonizações, mas nem uma palavra sobre comida alemã.

Por essa razão, no final do ano passado, convidei alguns amigos amantes do vinho para um jantar em minha casa com o intuito de mostrar um pouco da comida alemã e sua harmonização com o Riesling, a mais emblemática casta de uva dos vinhos alemães. O menu do jantar foi tipicamente alemão, para poder desfrutar de um típico Riesling do Mosel:   

  • Knödel -  uma bola de massa (com formato parecido com bolinho de carne) feita a base de pão dormido (Semmelknödel), farinha e especiarias, pode ser feito também com batatas;
  •  Schnitzel – um tipo de bife à milanesa feito com filet de carne suína. A carne deve ser batida com um batedor de bife até ficar bem fininha;
  •  Ofenkartoffel mit feinen Kräutern – batatas cozidas com ervas finas;
  •  Páprica Schnitzel - que é um molho feito com uma mistura de páprica doce e picante, nata e um tablete de carne, simplesmente maravilhoso e que combina muito bem com os pratos mencionados acima. 

E, para encerrar o jantar, uma amiga de longa data (também descendente de alemães) fez como sobremesa um belíssimo Apfelstrudel (especialidade dela), doce bastante conhecido por todos, que consiste basicamente em uma massa folhada polvilhada com açúcar de confeiteiro e recheada com maçãs, passas e canela, que foi devidamente acompanhado de um espumante blanc de blancs.

Para harmonizar com o jantar servi um típico Riesling do Vale do Mosel, a principal região produtora deste tipo de vinho na Alemanha, e que é justamente conhecida e famosa mundialmente por produzir excelentes Riesling.  Foram servidos também na entrada um espumante Rosé e quando o Riesling acabou, um Rosé da Serra Gaúcha. 


O curso do rio Mosel (Alemanha) começa na França (Moselle), corre pelo território de Luxemburgo (Musel) e adentra o território da Alemanha onde flui por 250 km desaguando mais adiante, no rio Reno, que segue o seu caminho até o Mar do Norte. É ao longo deste sinuoso desfiladeiro onde o rio corre na Alemanha, que encontramos o mais clássico vinho Riesling do mundo.


O vale do rio Mosel, localizado entre as latitudes de 49° e 50° Norte, é uma das 13 regiões vitivinícolas alemãs (Weinbaugebiete) para vinhos de qualidade e que levam o nome do rio em seu rótulo sendo a terceira maior área produtora de vinhos da Alemanha.

É onde se concentra a maior área de cultivo da variedade Riesling em todo o mundo, com cerca de 9 mil hectares destinados a essa uva. É também, a maior em extensão territorial no cultivo de vinhedos em encostas, sendo a região vitivinícola mais antiga da Alemanha. A uva Riesling representa mais de 61,5% das terras vitivinícolas e, o vinho Riesling, foi registrado pela primeira vez no país em 1435, ou seja a 589 anos. Muitos consideram-na a região líder em termos de prestígio internacional. 


Ela está localizada no estado federal da Renânia-Palatinado, no Oeste do país, cobrindo os vale do Médio Mosel a montante ao Sul da bacia, nas proximidades de Trier e do Baixo Mosel até sua foz em Koblenz mais ao Nordeste na confluência com o rio Reno.

 Acredita-se que a viticultura foi trazida para esta zona pelos romanos que plantaram vinhas ao longo do Mosel e do Reno para terem uma fonte local de vinho para as suas guarnições. O vinho Mosel do período romano foi descrito como encorpado e "austero". Dizia-se que era um vinho mais fácil de beber do que o de outras áreas romanas. Um pouco diferente do que conhecemos do Riesling de hoje em dia, que se caracteriza por um vinho mais leve e com teor alcoólico não muito elevado.

O que torna o Vale do Mosel tão especial para este vinho e uva é uma combinação de geologia, geografia e história que torna esta região vitivinícola única. O vale é conhecido pelas encostas íngremes ao longo do rio, onde estão localizados os vinhedos. Estas são consideradas uma das áreas vitivinícola mais intensivas em mão-de-obra, do mundo, uma vez que a colheita mecanizada é impraticável, devido a forte inclinação do terreno. Isso faz com que sejam necessárias quase sete vezes mais horas de trabalho no Mosel do que em outras regiões vitivinícolas, com relevos mais suaves, como por exemplo o Médoc, na França.

Com encostas voltadas para Sudeste, Sul e Sudoeste (típico do hemisfério Norte) o que favorece a exposição solar das vinhas e, com inclinações que chegam a 68%, o vinhedo Calmont é considerado o mais íngreme registrado na Europa, pertencendo à vila de Bremm (veja localização na figura acima), sendo assim conhecido como Bremmer Calmont, onde a casta predominante é a Riesling. Ele está localizado em uma imponente e característica curva formada pelo rio Mosel, abrangendo cerca de trinta e três hectares de ardósia mineral, misturada com quartzito e arenito.

 

A região vinícola do Mosel tem um clima continental setentrional marcado por temperaturas amenas. A temperatura média anual do vale do Mosel é de 10°C, com a presença de invernos pouco rigorosos e praticamente sem geadas. Nesse período as temperaturas médias do meses mais frio giram em torno de 1 a 5 °C, sendo dezembro e janeiro os meses mais frios. Durante os meses de verão, o clima é quente com as temperaturas médias de julho, o mês mais quente, em torno de 18 °C. As chuvas são bem distribuídas ao longo do ano

 Devido a estas temperaturas mais amenas, o amadurecimento da uva Riesling é mais lento se comparado à outras regiões alemãs, por essa razão ela permanece mais tempo na videira. Isso permite o acúmulo de compostos aromáticos que são passados aos vinhos posteriormente.

A Riesling é uma uva que tolera climas mais frios e a topografia do vale do Mosel oferece várias características importantes que ajudam no amadurecimento das uvas:

  • Primeiro, o rio Mosel, que serpenteia pelo vale, reflete a luz do sol nas vinhas. Além disso, o rio ajuda a moderar a temperatura ambiente à noite, irradiando o calor que absorveu durante o dia;
  • Em segundo lugar, as encostas íngremes ao longo do rio permitem aos viticultores orientar as vinhas para que possam obter a maior exposição solar possível durante o dia. Essa inclinação permite que a luz solar mais direta entre em contato com as vinhas;
  • A elevada incidência de raios solares nos vinhedos, faz com que a uva Riesling seja mais aromática, o que dá aos vinhos um caráter refrescante e longevo, alguns podendo envelhecer por anos;
  • Adicionalmente, a forte presença da luz solar influencia o teor alcoólico dos vinhos com alguns exemplares apresentando menos que 7% de álcool em sua composição;
  • A composição do solo que conta com elevada presença de calcário, o que facilita a maior retenção de calor, é outro fator importante para o cultivo exitoso da uva Riesling.

 Mas e o vinho que tomamos no jantar?

É o Selbach Oster Zeltinger Himmerlreich Riesling Kabinett 2019, produzido pela renomada vinícola Selbach Oster, uma das maiores estrelas da região do Mosel, na Alemanha, e detentora dos melhores vinhedos de Zeltingen.

Zeltingen-Rachtig é um município da região do Mosel conhecido por seus vinhos da uva Riesling. Localizado em uma curva do rio Mosel, é composto por aldeias gêmeas que foram oficialmente documentadas como uma entidade combinada, no início de 1085, embora os rótulos dos vinhos apresentem apenas “Zeltinger” seguido do nome do vinhedo. Zeltingen-Rachtig está na Latitude de 49° 57’ 26” Norte e Longitude 7° 57’ 38” Leste, em uma altitude de 120m, na região do Mosel-Saar-Ruwer. 

 

Este vinho é elaborado 100% com uvas Riesling, sendo uma verdadeira expressão do terroir alemão, apresentando no aroma a delicadeza dos cítricos e um toque elegante de mineralidade defumada.


O Riesling alemão é conhecido por envelhecer bem. Um vinho de um produtor de qualidade de grande colheita pode durar até 40 anos. Mesmo vinhos com preços modestos podem envelhecer 5 anos e desenvolver uma tonalidade dourada profunda com aromas de mel e petróleo.

 Texto: Sausen, T.M.; Jan.2024

Fontes:

https://winefolly.com/deep-dive/mosel-valley-wine-guide/

https://www.mistral.com.br/regiao/mosel

https://www.enocultura.com.br/curiosidades-sobre-regioes-mosel/

https://www.vivino.com/BR/pt-BR/selbach-oster-zeltinger-himmelreich-riesling-kabinett/w/1666677

https://www.rimontgowineries.com/blog/bremmer-calmont-2/

https://en.wikipedia.org/wiki/Mosel_(wine_region)#:~:text=

 https://www.city-vino.com/blogs/blog/mosel-climate-change-and-dr-leimbrock/

http://www.sobrevinhoseafins.com.br/2016/02/cantina-alema.html

https://www.whatstheweatherlike.org/germany/mosel.htm#:


Se beber, não dirija !


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