sábado, 11 de agosto de 2012

VINHOS EXTREMAMENTE CAROS



Não há a menor dúvida de que todo apreciador de vinho pelo menos uma vez na vida, ao comprar uma garrafa de um vinho especial, de boa safra e de excelente qualidade, não deu a menor importância ao preço, mesmo que isto tenha representado um verdadeiro rombo no cartão de crédito. Tudo o que ele queria era desfrutar deste liquido dos deuses, em sua plenitude e, porque não, ter o prazer de haver consumido um vinho caríssimo.

Mas recentemente alguns produtores de vinho andam exagerando na quantidade de zeros nos preços das garrafas. Os vinhos se tornaram objetos de luxo tal como um relógio Patek Philippe, uma caneta Mont Blanc, um vestido Dior, uma bolsa "Lana J. Marks Cleopatra Bagn ou uma joia da centenária joalheria francesa Van Cleef & Arpels.

Um amigo meu me enviou uma artigo sobre o vinho mais caro do mundo, o australiano Penfolds 2004 Block 42, engarrafado em ampolas de vidro de 750-ml e caixa de madeira que custa apenas US$ $168,000, considerando o dollar de hoje 2,02, a garrafa custaria R$339.360,00.

Este vinho é produzido em um único e raro vinhedo, cujo produtor reivindica a posição de a mais velha produção, de forma continuada, de vinhos Cabernet Sauvignon no mundo. Serão vendidas apenas 12 ampolas deste vinho, que apesar de caríssimo, sua garrafa tem um formato um pouco estranho. Ela foi desenhada e feita soprando o vidro por Nick Mount, um mundialmente renomado artista do vidro que vive em Adelaide no Sul da Austrália.


Com sinceridade, eu acho que não tenho um paladar tão extraordinário ou tão apuradíssimo, ou mesmo treinado para poder distinguir toda a beleza de um vinho com um preço exorbitante como este, de outro vinho com preço bem menos extravagante. Apesar de amar vinho eu gastaria este dinheiro em um apartamento com uma bela sacada, uma lareira e uma vista maravilhosa.

Eu diria que quem gasta tanto dinheiro assim em um vinho está menos preocupado com o seu sabor e mais com o status que a compra de uma garrafa dele pode lhe dar em seu círculo social, tal como os artigos de luxo mencionados anteriormente. Tanto que em todos os artigos que encontrei sobre o lançamento deste vinho, há uma farta descrição dos profissionais renomados e as etapas de como foi concebida a ampola e a caixa de madeira, mas nem uma única palavra sobre o vinho, propriamente dito.

Mas este artigo me levou a pesquisar sobre vinhos extremamente caros e descobri que em março deste ano a tradicional casa de leilões Sotheby realizou o segundo maior leilão de vinhos de sua história, com as vendas atingindo 2,76 milhões de euros com 97% dos itens vendidos. Os lotes de vinhos da região de Borgonha, em especial os de Domaine de la Romanée-Conti e Henri Jayer (os mais caros do mundo), foram os mais disputados por compradores online e por telefone de 21 países diferentes atingindo preços muito acima dos estimados. O lote principal deste leilão eram três garrafas de Cros Parantoux 1990, de Henri Jayer Vosne-Romanée, vendidas para um comprador asiático por 42.300 euros, 14 mil euros acima do esperado.

Em 03 de abril esta mesma casa de leilões realizou um leilão de vinhos históricos em Hong Kong, onde em apenas dois dias eles venderam 100% de seus lotes e arrecadaram  o equivalente a 8,2 milhões de dólares. Dos lotes vendidos os principais foram um vinho Pétrus 1982 vendido por quase 70 mil dólares; três double magnums do Lafite 1982 por 6,5 mil dólares e uma caixa dessa mesma safra de Lafite por 37,6 mil dólares.


Você consegue se imaginar pagando US$ 156.4590,00 por uma garrafa de vinho? Pois esta foi a pequena fortuna que o bilionário Malcolm Forbes pagou em meados da década de 80 por uma garrafa que continha um vinho de 1787 que, se dizia,  pertencia à adega do presidente Thomas Jefferson, um grande amante de vinhos de Bordeaux, pelo fato de que na garrafa estava gravado Th.J. Apesar do valor histórico e do preço alcançado pela garrafa no leilão, para a demonstração ela foi colocada na posição errada (vertical) e sob um forte foco de luz, resultado a rolha secou, caiu para dentro e o vinho perdeu-se. E lá se foram US$156.4590,00 e um pedaço da história Norte Americana.



O vinho francês Romanée-Conti é considerado um dos vinhos mais caros do mundo, cuja garrafa pode custar até US$12.000,00. Este vinho é tão caro porque além do sabor apreciadíssimo sua produção é bastante reduzida, uma vez que a vinícola de suas preciosas uvas ocupa uma párea de apenas 1,8 hectares, mais ou menos o tamanho de um campo de futebol.

Em março deste ano a família Eguren criou o vinho "Premier" Teso de La Monja, o vinho mais caro da Espanha,  que custa 900 euros. A vinícola produziu apenas 828 garrafas, ele é fruto de uma experiência exclusiva em uma área de 1,8 hectares, o mesmo tamanho do Romanée-Conti, cultivado com todos os cuidados e técnicas biodinâmicas, além de ser elaborado com um depósito de madeira único na Espanha.

 

A revista e site de buscas de vinhos WINE SEARCHER (http://www.wine-searcher.com/wine-info.lml) publicou recentemente a lista dos cinquenta vinhos mais caros do mundo, lá vocês podem escolher qual vinho de preço exorbitante irão comprar.

Para encerrar este artigo convido vocês a brindar comigo com um dos champagnes mais caros do mundo o Perrier-Jouët, fabricado na França pela produtora de bebidas Pernod-Ricard e que custa algo em torno de $4.166 euros. Tim, Tim!!!

domingo, 22 de julho de 2012

RAZÕES PARA GOSTAR DE VINHO BRANCO



Quando escrevi o artigo sobre o Pinot Gris enviei o endereço do meu blog para um amigo fã de vinhos, e ele me enviou uma mensagem dizendo o seguinte: “Ainda não tomei nenhuma garrafa de pinot gris. Mas já houve ocasiões em que degustei vinho branco e foi a melhor bebida para o momento. Há tempo para tudo, mas o vinho tinto me conquistou e mesmo no verão, eu me pego degustando um tinto.” Ao que eu respondi a ele “vinho bom é vinho bom, não interessa se é tinto ou branco”.

            Já ouvi também com muita frequência a seguinte frase “vinho bom é vinho tinto” ou “vinho branco é um vinho para se tomar sozinho” ou ainda as pessoas consideram o vinho branco quase como um aperitivo, sendo consumido antes do jantar, em coquetéis ou festas onde as pessoas ficam em pé e vão embora logo.

          Até entendo estas manifestações uma vez que, culturalmente, quando se fala em vinhos ou ele é representado em figuras, fotografias e filmes, tais como naquelas cenas românticas em que o galã serve uma taça de vinho para conquistar a mocinha, sempre, sem exceção, o vinho é tinto.

       Até o vinho mais famoso do mundo, aquele que foi servido nas bodas de Caná todo mundo crê que era tinto. Já li vários textos sobre isto, todos mencionam o alto teor alcoólico deste vinho, e o milagre da transformação da água em vinho, mas nenhum deles menciona a cor, assim por que todos nós julgamos que ele era tinto?

Ninguém sabe realmente quando o vinho surgiu o mais provável é que alguém esqueceu algumas uvas em um recipiente qualquer e que elas acabaram fermentando, um dia alguém com sede bebeu aquele liquido, que deveria estar mais para suco de uvas do que para vinho, surgindo assim esta maravilhosa bebida.

               Pesquisadores descobriram no Egito e na Síria, vestígios da espécie Vitis Vinífera, datadas de 4.000 a.C. O Antigo Testamento menciona que Moisés ao atracar a Arca no Monte Ararat, saiu e cultivou um vinhedo e de seu fruto embriagou-se, e todos creem que era de vinho tinto. Mas isto não está mencionado no Antigo Testamento.

Em 1532 foram introduzidas as primeiras videiras no Brasil, por Martim Afonso de Sousa, e por serem oriundas de Portugal e da Espanha, todos acreditam que produziam vinhos tintos, mas se vocês lerem artigos e textos sobre isto, não há menção da cor do vinho.

Assim, culturalmente damos mais valor ao vinho tinto que ao vinho branco. Se vocês entrarem na Wikipédia tudo que irão encontrar sobre vinho branco é o seguinte O vinho branco é um vinho de coloração dourada e aroma frutado. Conhecido no Egito Antigo, foi recriado em Portugal.” com um hiperlink na palavra vinho que nos remete imediatamente a uma página que trata longamente sobre esta bebida, mas claro, basicamente sobre vinho tinto. Se este vinho já era conhecido no Egito (4.000 a.C.), ele surgiu na mesma época em que o vinho tinto.

Mas vamos ao vinho branco, é um equívoco desprezá-lo ou considerá-lo um vinho menos espetacular. Vivemos em um país, que em sua maioria é de clima tropical, e, mesmo nos estados do Sul do Brasil, de clima subtropical a temperado, o verão caracteriza-se por temperaturas bastante altas, não raro atingindo os quarenta graus. Portanto, na maior parte do território nacional e na maior parte do ano, nosso clima pede vinhos mais refrescantes, mais leves ao paladar e a digestão e que sejam servidos a temperaturas mais baixas que os vinhos tintos.

Aliado a isto temos 8.000km de costa o que nos proporciona uma profusão de peixes e frutos do mar. Nosso país é rico em frutas e em saladas coloridas e saborosas que fazem parte e enriquecem a culinária brasileira e harmonizam divinamente com os vinhos brancos.

Ao pesquisar sobre vinhos brancos na literatura encontrei uma tabela de uvas que produzem vinhos tintos e brancos, no livro Vinho para Leigos de autoria de Ed McCarthy e Mary Ewing–Lulligan, da Editora Alta Books, Rio de Janeiro, 2008. Nela a quantidade de uvas que produzem apenas vinhos tintos (12) ou só brancos (13) é a praticamente a mesma, com uma leve vantagem dos brancos.



Atualmente temos uma oferta e uma diversidade bastante grande de vinhos brancos importados e nacionais de boa qualidade e a preços razoáveis. É bem verdade que muitos ainda associam o vinho branco ao terrível e extremamente adocicado vinho alemão Liebfraumilch, aquele da garrafinha azul, cujo consumo estrondoso no país foi inversamente proporcional a sua qualidade. Mas isto foi lá nos ano 80, e por incrível que pareça este vinho levou muitos consumidores bissextos a se tornarem verdadeiros amantes do vinho.

Tudo bem que você goste de um vinho tinto super encorpado, de vermelho rubi intenso e retrogosto inesquecível, mas nada impede que também se apaixone por um branco de cor amarelo palha (OK, na realidade o vinho branco não é branco é amarelo), frutado, aromático, refrescante e alguns deles de sabor intenso. Afinal o mundo do vinho não se divide entre brancos e tintos, mas sim entre vinho bom e vinho ruim.

Marcelo Copello em seu artigo na revista Adega sobre “Dez motivos para gostar de vinhos brancos” menciona que:
a)  Cientistas do departamento de anatomia humana da universidade de Milão comprovaram que substâncias contidas nos brancos reduzem a tendência a doenças como artrite reumática e osteoporose;
b) Na hora de harmonizar vinhos e pratos, os brancos são bem mais versáteis e combinam com uma gama muito maior de pratos;
c)    Ao preparar um “queijos e vinhos”, os brancos também são mais versáteis, pois combinam com uma gama muito maior de queijos;

O vinho branco deve ser servido mais resfriado para moderar a sua acidez, que é naturalmente mais alta, porém ele não deve ser servido gelado o que inibiria totalmente os seus aromas. A melhor forma de resfriar este vinho é colocá-lo em um balde com pedras de gelo, água gelada e sal grosso, que acelera o resfriamento, em média em 30 minutos ele já atingiu a sua temperatura ideal de consumo.

Aproveite o seu vinho branco seco com um bisque de camarão, caranguejos e siris, lulas, haddock defumado, namorado ao forno; o branco encorpado seco com atum grelhado, bacalhoada ou polvo, galeto grelhado, peru assado; o branco meio seco com badejo cozido, peixe ao molho branco, salsicha fria,comida tailandesa, costela ou lombo de porco, pasta de fígado.


sábado, 7 de julho de 2012

GEOGRAFIA DO VINHO - O VINHO E A ESTIAGEM NO SUL DO BRASIL



No dia 20 de junho deste ano, o Instituto Brasileiro do Vinho (IBRAVIN) anunciou que o Rio Grande do Sul processou a 2ª maior safra de uva da história. O volume de uvas processadas pelas vinícolas do Estado, sem contar as uvas para consumo in natura, as vendidas para fora do estado e as processadas artesanalmente chegou a 696,1 milhões de quilos de uvas, devendo gerar 436,4 milhões de litros de vinho e derivados.

A safra deste ano só foi superada pela safra recorde de 2011 que fechou com a colheita e o processamento de 709,6 milhões de quilos de uva. Apenas as uvas viníferas geraram um total de 75,7 milhões de quilos este ano, um pouco menor do que o recorde da safra de 2008 que foi de 83,8 milhões de quilos. O Rio Grande do Sul é responsável por cerca de 90% da elaboração brasileira de vinhos e 55% da produção de uvas.



Este ano o Sul do Brasil enfrentou forte estiagem que se estendeu por sete meses e causou enormes prejuízos ao setor agropecuário, em torno de 2 bilhões de reais, principalmente no Rio Grande do Su, o estado mais afetado. 

Mas, ao contrário da maioria dos produtos agrícolas que necessita de condições amenas para produzirem boas safras, a uva adora sofrer, as vinhas produzem as melhores uvas quando elas têm que dar um duro danado para produzi-las. Assim, se houver água em excesso suas raízes não são encorajadas a se aprofundarem em busca dos nutrientes, além do que a umidade excessiva faz com que elas apodreçam. As raízes da parreira podem atingir até 15 metros de profundidade, absorvendo a água e as substâncias minerais de que necessita para seu desenvolvimento.

A forte estiagem gerou uma safra de uva de alta qualidade, tal como à emblemática safra de 2005, que produziu 611.868 toneladas de uva e, vinhos de excelente qualidade que ainda estão sendo saboreados por todos nós.

A presença do fenômeno La Niña provocou um clima mais seco, com menos incidência de chuvas e a forte estiagem na região Sul do Brasil. O mesmo ocorreu em 2005.

 As chuvas são uma grande preocupação para os viticultores, principalmente no período de frutificação, que no hemisfério Sul ocorre nos meses de dezembro e janeiro, quando o sol e as altas temperaturas são extremamente desejáveis. Chuvas neste período podem causar o apodrecimento das uvas.

Em geral as videiras necessitam em torno de 650 mm de chuva por ano, mas o ideal é que boa parte delas ocorram no inverno e na primavera, quando a vinha está tentando criar os brotos e cachos. Como as uvas gostam de um período longo de amadurecimento o desejável é uma quantidade mínima de chuva no verão e no outono.

As chuvas durante o verão, em clima quente, eleva também o risco de doenças relacionadas ao mofo e ao bolor e, elas também impedem que as uvas atinjam a quantidade ideal de açúcar para produzir vinhos de excelente qualidade.

No verão deste ano quando ocorreu à colheita da uva, 56% (157.779,20km2) do território do Rio Grande do Sul estavam afetados pela estiagem. Em 2005 nesta mesma estação 40,34% (113.671km2) do estado estava sob o efeito da estiagem.

O principal efeito da forte estiagem deste ano é um Grau Babo médio de 16,3 para as uvas viníferas. Em 2005 este Grau foi de 17,2.  O Grau Babo representa a quantidade de açúcar, em peso, existente em 100g de mosto. Quanto maior, maior a maturação da fruta. Uvas mais maduras podem dar vinhos mais coloridos, equilibrados, encorpados e saborosos. Uvas menos maduras, teremos mais acidez e vinhos menos equilibrados.

Agora é só esperar para degustar pelos excelentes vinhos que seguramente esta safra irá nos proporcionar.

Se beber, não dirija!

domingo, 1 de julho de 2012

PINOT GRIS



No mês passado um amigo meu em viagem a Paris mandou-me esta mensagem “Estou deslumbrado. Não sei que espírito me iluminou, e pedi um Pinot Gris para almoçar. Tomei um susto quando veio um vinho branco à mesa, mas a tonalidade profundamente dourada me seduziu. A segunda surpresa foi senti-lo levemente adocicado, mas o aroma era tão complexo e o sabor tão cheio de nuances que não foi uma mas sim duas garrafas as que meu colega e eu consumimos. Foi uma experiência reveladora. Você já degustou vinhos dessa uva? Estou levando uma garrafa para Maceió, e me recomendaram degustá-la com sabores fortes: patês e queijos intensos.”

Meu amigo descreveu muito bem a agradável sensação de tomar um vinho produzido a partir desta uva e também a sua surpresa de constatar que este é um vinho branco. Muitos associam esta uva a Pinot Noir e assim esperam por um vinho tinto. A garrafa que ele trouxe para o Brasil, que eu saiba já devidamente degustada, é um Pinot Gris da Cave Beblenheim, da Alsácia, região situada no nordeste da França.

A uva Pinot Gris, uma casta de uva branca, é uma das diversas variedades da uva Pinot, que possui as seguintes variedades-Pinot Blanc, Pinot Noir, Pinot Meunier  e Pinot Gris. É originária da Bourgogne onde é hoje pouco cultivada. Atualmente é mais cultivada na Alsácia, sendo uma das quatro grandes uvas nobres ao lado da Riesling, Gewürztraimer e da Muscat.

A Pinot Gris recebe diferentes nomes em função dos países, na França é Pinot Gris, na Itália-Pinot Grigio, na Alemanha-Grauer Burgunder ou Ruländer, na Ucrânia-Pinot Cinzenta ou Pinot Gri, no Brasil é Pinot Grigio.

É muito cultivada na Áustria e em alguns países do leste europeu, tais como Eslovênia, Hungria, Romênia, Rússia. No novo mundo ela é cultivada principalmente nos Estados Unidos (Oregon e na California), na Nova Zelândia e Austrália.  No Chile é cultivada na região de Casablanca e na Argentina em Lujan de Cuyo. É uma das cepas em ascensão no mercado mundial nos últimos cinco anos, principalmente nos Estados Unidos, sendo impulsionada pelo mercado de vinhos varietais produzidos no Novo Mundo.

Normalmente essa uva tem tonalidade azul-acinzentada tendo assim, relação direta com seu nome, pois “gris” significa cinza, em francês. As uvas da Pinot Grigio podem também ter um tom de rosa-amarronzado ou até mesmo branco.

Seus aromas e sabores dependem muito do clima onde é cultivada. Os Pinots Gris da Alsácia, onde a primavera é seca e os verões com noites não muito quentes, produzem um vinho muito aromáico, menos ácido, bem mais encorpado e aveludado. Apresenta cor amarelo-dourado, lembra frutas cristalizadas, damascos e passas. Pode ser guardado por cinco a oito anos.

O Pinot Gris combina com peixe tal como o badejo, carne branca, também vai muito bem com fígado de  ganso,  brioche torrado, pratos da cozinha alemã e da cozinha oriental.  Como sugestão o Clos Rebberg Pinot Gris da Alsácia, fabricado por Marc Kreydenweiss ou os produzidos pelo Domaine Zind-Humbrecht.

O Pinot Gris da Nova Zelândia é um vinho bastante frutado, pedregoso, dourado e intensamente aromático. Lembra aromas de mel, maçã, limão, pêra e pêssego. Apesar de ter a mesma textura viscosa do Pinot Gris da Alsácia seu sabor é mais fresco. É um ótimo vinho para ser consumido no verão e acompanha bem pratos como o fettuccine com molho de tomate e sushi.



         Na Itália a  Pinot Grigio é cultivada principalmente na região de Trentino, Vêneto e Friuli.  É um vinho amarelo-limão claro, mais seco, ácido, mais refrescante, com pouco aroma, bastante diferente dos alsacianos. É um vinho para ser bebido até dois anos após a data da sua safra, deve ser servido frio e vai muito bem com peixes, frutos do mar, massas leves e algumas combinações de queijos e bolachas.  Uma sugestão o Corte Giara IGT 375ml Pinot Grigio 2010, 100% Pinot Grigio, da Allegrini, da região do Vêneto, que custa em torno de R$50,00. Esta é a vinícola mais premiada desta região. De cor amarelo palha brilhante, aroma fresco, floral, com toques de flores de acácia, deve ser servido a temperatura de 9 °, quatro anos de guarda.

No Brasil a Miolo cultiva esta uva na Campanha Gaúcha, fronteira com o Uruguai, dando origem ao Fortaleza do Seival Pinot Grigio. Este  vinho tem leve intensidade de cor, com tonalidades esverdeadas, aroma frutado, lembrando frutas brancas de caroço, Na boca apresenta uma estrutura equilibrada com retrogosto agradável, graduação alcoólica de 13%  e deve ser degustado a uma temperatura de 8º C. Harmoniza muito bem  Spaghetti a la carbonara e queijos como o Edam ou Gruyère, por ser um vinho leve vai muito bem também com  pratos que contenham legumes, peixes, frutos do mar, salada de folhas verdes e bolinhos de bacalhau, custa em torno de R$30,00.


sábado, 30 de junho de 2012

VINHOS E COGUMELOS



Recentemente recebi a visita de uma amiga que eu não via há vários anos. Para comemorar o reencontro convidei-a para jantar em minha casa e preparei um belo tortei, com molho de nata e mostarda, com cogumelo Portobello refogado no shoyo. Para acompanhar a nossa comida um Fortaleza do Seival Tempranillo, da Miolo. Em outra postagem, na que trata sobre o almoço de preguiçosa, também mencionei que preparei o prato com cogumelos Paris. Creio que com isto dá para vocês perceberem que eu gosto muito de cogumelos, de todas as espécies, mas o Portobello, com seu tamanho avantajado, chapéu grande e coloração parda e delicioso sabor é o meu preferido.

       Este tipo de cogumelo apresenta uma textura mais rígida e um aroma ligeiramente mais intenso do que o de outros cogumelos. Ele combina bem com saladas, sopas e acompanhamentos de carnes, mas eu já experimentei com vários tipos de pratos e ficou uma delicia.

             Ele é tão versátil quanto o cogumelo Paris ou Champignon Paris, ou  simplesmente Champignon, como é conhecido. Este é o tipo de cogumelo mais consumido no mundo, de cor esbranquiçada e chapéu não muito mais largo do que o talo. Popularizou-se no país por ser utilizado na preparação do strogonoff.

Outro tipo de cogumelo muito famoso é o Funghi Porcini que floresce nos bosques italianos no início do outono. Tem uma base grossa, lembrando um tronco e chapéu largo. No Brasil ele praticamente só é vendido desidratado, tem aroma forte e sabor marcante, combina muito bem com molhos e risotos. Tem sabor mais forte que o Paris e o Portobello e é muito usado na preparação de molhos para massas e risotos.


Como boa bebedora de vinhos logo tratei de ver como poderia combinar cogumelos e vinho e comecei a pesquisar sobre o assunto.  Em geral os cogumelos adicionam notas terrosas ao prato, assim eles combinam naturalmente com os vinhos terrosos, sendo o seu melhor exemplar o Rioja tinto, que é considerado um dos melhores vinhos terrosos do mundo e que acentua o caráter rico e terroso dos cogumelos, especialmente os selvagens. É comum nesta região da Espanha iniciar uma refeição com cogumelos cozidos em azeite extra virgem quente e muito alho.



         Os cogumelos mais escuros (especialmente os reidratados), tais como o portobello e o porcini, possibilitam que qualquer prato harmonize com vinhos tintos. Já os mais claros, cremosos e com textura como shitake, o chanterelles e o paris favorecem a combinação com vinhos brancos. Os que tiverem mais textura combinam com um vinho Chardonnay com carvalho e Sauvignon Blanc.

Dificilmente se come cogumelos sozinhos, eles sempre fazem parte de algum prato, assim, aqui vão algumas sugestões que encontrei nas quais eles podem ser degustados acompanhados de bons vinhos:
  • O Nebbiolo, que com seus aromas de cassis, tabaco, cedro e café torrado, com corpo e boa acidez e taninos presentes, vai muito bem com massas ao funghi, baby beef ao molho de funghi, parpadele com funghi e cuzcuz marroquino acompanhado de shitake salteado no azeite. Pode ser servido a 15,5 a 18,5 º. Uma sugestão de vinho seria o Lidio Carraro Singular Nebbiolo;
  •  O Carmenére, servido a 15,5 a 18,5 º vai muito bem com risotto de funghi, aliás, há uma semana uma amiga que morou por vários anos na Itália me convidou para um risotto ao funghi, preparado por ela, delicioso, que caiu muito bem com um carmenére chileno, presenteado por outra convidada. Acho que aquela garrafa de vinho estava esperando por uma ocasião tão agradável como esta para ser deliciosamente degustado por todas nós. Uma maravilha. Outro prato que também combina com o carmenére é a bruscheta de cogumelo, feita com fatias de pão italiano torrado e cogumelos.
  • O Malbec, com seus aromas de cereja, avelã, frutas vermelhas e tabaco, é um vinho frutado, muito macio, de bom corpo, cor escura e tânicos, para ser consumido ainda jovem. Tal como os outros tintos deve ser servido a 15,5 a 18,5 º C, também harmoniza muito bem com risotto ao funghi ou risoto de arroz negro com cogumelos paris e shiitake ao Malbec. O arroz negro é simplesmente delicioso, além de dar um ar exótico ao prato.
  • O Syrah (Shiraz), é um vinho de cor vermelha intensa, com aromas de cacau, ameixas pretas e figos maduros  que deve ser servido a 15,5 a 18,5 º C.  Combina muito bem com pratos preparados com cogumelos como o papardelle ao funghi porcini seco e cogumelo paris seco,  risoto de funghi porcini ou entrecot ao molho de vinho shiraz com cogumelo paris e cebolas roxas grelhadas.
  • O Pinot Noir, é a estrela dos tintos vibrantes, frutados, de cor vermelho-rubi, é um tinto mais leve, um tinto de verão, com aromas de framboesa, cogumelo, ameixa preta e café torrado, também deve ser servido a 15,5 a 18,5 º C. Nunca sirva este vinho com algo de gosto muito forte, prefira os pratos delicados, assim ele  combina muito bem com peito de frango com cogumelos, que é uma comida mais leve que massa. Vai bem também com bruscheta de cogumelos ou com medalhão de berinjela com cogumelos paris salteados.


terça-feira, 12 de junho de 2012

FRIO,SOPAS E VINHOS



No dia 21 de junho começa o inverno no hemisfério Sul, porém, a região Sul do Brasil já vem enfrentando temperaturas negativas, inclusive com previsão de neve que acabou não se confirmando.

Para enfrentar um friozinho cortante e congelante nada melhor que um delicioso prato de sopa quentinha e claro, um belo vinho. Não é muito simples harmonizar sopa e vinho, uma vez que a alta temperatura do prato e sua textura, em geral incompatível com vinho, dificultam esta harmonização. Para tal, deve-se  prestar atenção na textura e no sabor da sopa, para ficar menos complicado.

Assim, não deve-se desperdiçar grande vinhos, complexos, elegantes e delicados nesta harmonização porque eles simplesmente desaparecerão, melhor optar por vinhos mais fortificados, com bom teor alcoólico que conseguem resistir melhor as altas temperaturas que permanece na boca a cada colherada de sopa quentinha.

Uma das sopas mais populares no inverno, em todo o país, é a sopa de Capelleti, de origem italiana e apreciada por todos, em geral feita em caldo do tipo brodo. Por ser uma sopa leve, com um caldo leve não é necessário um vinho muito encorpado. Um vinho tinto levemente ácido e frutado, tal como o Chiantti ou um Valpolicella, cai muito bem. Eu gosto de por um pouco de vinho na sopa.

O chiantti é um tinto italiano produzido na região de Toscana, todo filme romântico, que se passa nesta região sempre vem acompanhado de uma garrafa deste vinho. É produzido com uvas tintas sangiovese (que predominam) e caniaolo e uvas brancas trebiano e málvasia.   Seco, com notas de fruta muito concentrada, aromas de violeta e cereja, combina com comidas leves. É um vinho bastante popular na Itália e no mundo todo, não há quem não conheça a típica garrafinha do chiantti envolta em palha. Mais de sete mil vinícolas produzem este vinho na Itália.

Outra sopa que faz muito sucesso no inverno é a sopa de cebola francesa, que é preparada com vinho branco, cebolas caramelizadas em tomilho, complementada com fatias de pão levadas ao forno, primeiramente, para ficar levemente torradas, e depois gratinar o queijo gruyére posto sobre elas.


Uma das melhores sopas de cebola que já comi, foi em um restaurante simples em Hué, no Vietnam, em 2006, deixando claro o legado de colonização francesa, do tempo em que o Vietnam fazia parte da Indochina (Vietnam, Laos e Camboja). Foi uma agradável surpresa, infelizmente por ser um restaurante muito simples e o país ainda se ressentir das agruras da guerra e do regime comunista, não tive o prazer de desfrutar a sopa acompanhada de um bom vinho merlot, ou como segunda opção um cabernet.

A serra gaúcha produz excelentes merlots, sendo a uva emblemática da região. Ela produz um vinho encorpado, intensamente frutado, complexo, com uma estrutura harmônica e perfeito equilíbrio. Apresenta uma cor vermelho-púrpura, seus aromas são densos e frutados, tendo uma boa evolução e complexidade. O paladar é rico, macio, perfeitamente equilibrado, sedoso e de grande classe.


Vinhos Merlot selecionados, ou seja, os grandes Merlots, podem ter potencial para longo envelhecimento, porém a grande maioria deles está pronta para ser consumida entre 4 e 8  anos.  A temperatura ideal de consumo é  entre 15° e 18°C.


Várias vinícolas do Sul produzem excelentes merlots, segue algumas sugestões:  Merlot da Villagio Laurentis, reserva especial; Pizzato Reserva Merlot DNA; Familia Piagentini Boutique Reserva Merlot 2008, Marco Luigi Merlot Reserva da Familia; Lovara Merlot 2009; Lidio Carraro Reserva da Serra Merlot 2006; Merlot Milantino 2005.

domingo, 3 de junho de 2012

CABERNET SAUVIGNON



 
É conhecida como "a rainha das uvas tintas”, pois é a mais globalizada das uvas tintas, é cultivada em todas as regiões produtoras e degustada por todos.
Esta é uma variedade nobre originária da região de Bordeaux, França, onde produz os lendários tintos em cortes com Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot .
Levada para todas as regiões do mundo se adaptou bem em todas elas. Ela se adapta muito bem aos mais diferentes solos e climas, a exceção dos extremos (quente e frio) que não são bons para nenhum tipo de uva. Hoje em dia é a casta internacional para se avaliar vinhos, produtores ou regiões.
Os aromas e sabores da Cabernet Sauvignon são marcantes.  Os bons cabernets tem cor vermelho escuro, aromas de frutas vermelhas (cereja, cassis, amora, morango), amadeirados resinosos (cedro, lápis e caixa de charuto), amadeirados queimados (tostado, defumado, café, torrefação). Apresentam muita força e estrutura, envelhecem de maneira excelente.  Esta uva é uma variedade resistente e de amadurecimento tardio, o que ajuda na concentração de aromas. Desenvolve-se muito bem em regiões de climas amenos como a Califórnia, Austrália, África do Sul, Chile, Itália e Espanha. O Chile se destaca como um dos grandes produtores de Cabernet Sauvignon do mundo.
Qualquer produtor que esteja começando na produção de vinhos escolhe esta uva para mostrar que é capaz de fazer bons vinhos. Este também é o tipo de vinho mais mencionado por qualquer iniciante no mundo do vinho que não quer dar uma de desentendido e vai logo citando esta uva. O grande problema é que muitos deles jamais experimentam outro tipo de vinho, ficam eternamente citando o cabernet sauvignon, com ares de entendidos.
Você descobre rapidinho se a pessoa entende ou não de vinhos, basta perguntar que tipo de vinho ela gosta, e lá vem o cabernet sauvignon, e para por ai, jamais este grande entendido mencionará um tanat, um merlot, um tempranillo, não, ele ficará na segurança de um cabernet sauvignon. Confesso que isto me levou a ter certa implicância por vinhos cabernet sauvignon, sem que eles merecessem isto.
Certa vez me encontrei com um amigo argentino de Mendoza, que na ocasião estava fazendo um programa de pós-doutorado no Rio de Janeiro. Além de ele ter me presenteado por anos com excelentes vinhos mendozinos, é também um excelente bebedor de vinho. Assim, decidimos sair para jantar. Ele escolheu um restaurante no shopping Leblon que fica ao lado de uma importadora de vinhos.
Lá você escolhe o vinho na importadora e pede para ser servido durante o jantar. Apesar da minha implicância com os vinhos cabernet sauvignon, não sou boba, e como havíamos decidido que iríamos desfrutar de um excelente vinho, fui logo escolhendo um Don Melchor, safra 2004, da Concha y Toro.  
 O Don Melchor é o primeiro vinho Ultra Premium da indústria chilena, é o único que tem 22 colheitas premiadas e reconhecidas pela crítica mundial.  É o expoente máximo do  Cabernet Sauvignon chileno.
Sua origem é o Vinhedo de Puente Alto, localizado no  Valle del Alto, Maipo, a 650 metros de altitude. Os  parreIrais tem em média mais de 20 anos de idade, em solo pedregoso, pobre em nutrientes e com escassa retenção de agua.
 O Don Melchor 2004 é composto de 94% de Cabernet Sauvignon  e  6% de Cabernet Franc, passou 14 meses em barricas de Carvalho francês, tem cor cereja intenso, é complexo e elegante, com notas de frutas vermelhas, ameixas secas, especiarias e cassis, que se mesclam com  notas de chocolate, tabaco e cedro.
O vinho cabernet sauvignon vai bem com  carnes vermelhas, especialmente de cordeiro e de caça, podendo ser  assadas, recheadas, preparadas com molhos de vinho tinto, champignon e  de tomate. Harmoniza também com terrinas diversas e patês, especialmente de pato com trufas. Vai bem com queijos de vaca ou de  ovelha, queijos secos e maduros ou cremosos. Harmoniza bem com carnes grelhadas, cordeiro assado, risotos mais fortes.
Uma garrafa de Don Melchor custa em média R$ 320,00, mas vale cada gotinha contida nela.
   

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